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A volta de Evo Morales à Bolívia é risco para a democracia

Na segunda-feira, 9, ele apareceu nos braços do povo, celebrado como um messias

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 nov 2020, 06h00 • Atualizado em 4 jun 2024, 14h28
  • Em outubro do ano passado, Evo Morales foi eleito presidente da Bolívia para um quarto mandato consecutivo — no entanto, auditores enviados pela Organização dos Estados Americanos (OEA) disseram que o pleito havia sido fraudado. A oposição não aceitou o resultado das urnas, a violência explodiu pelas ruas do país e ao cocaleiro Morales só restou o exílio, para o México e de lá para a Argentina de Cristina Kirchner, amiga de longa data. Contudo, como o cotidiano político boliviano nunca foi para amadores, longe disso, um estudo independente de professores universitários americanos feito em junho deste ano concluiu que, sim, a votação presidencial fora legítima. Resultado: novas eleições. Morales apoiou Luis Arce, que tinha sido seu ministro da Economia. Arce, do Movimento ao Socialismo, derrotou o conservador Carlos Mesa e assumiu a cadeira principal do Palacio Quemado, em La Paz. O retorno de Morales, celebrado como uma hipotética chance para a democracia, traz embutidos todos os riscos de retrocesso alimentado por um populismo de esquerda, quase sempre alheio às regras do jogo e atrelado a um descabido personalismo. Basta ver as cenas do regresso de Morales, na segunda-feira 9, nos braços do povo, celebrado como um messias. Ao chegar, ele disse que Arce levará a Bolívia de volta aos anos de crescimento e de redução da pobreza — desafio imenso diante da atual crise econômica acelerada pela pandemia. Moral da história: os dois lados do país aceitaram alguma trégua, uma nova escolha de presidente, mas ela abriu as portas para mais do mesmo e do ruim — convém, portanto, permanente vigília.

    Publicado em VEJA de 18 de novembro de 2020, edição nº 2713

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