Clique e Assine a partir de R$ 9,90/mês

A trágica escalada dos opioides nos Estados Unidos

Em um ano, mais de 100 000 pessoas morreram de overdose, um aumento de 28,6% em relação ao período anterior

Por Julia Braun Atualizado em 3 dez 2021, 10h31 - Publicado em 4 dez 2021, 08h00

O círculo vicioso em que se revolvem a pandemia e o aumento da violência nos Estados Unidos contém um terceiro e letal elemento: o vício em opioides, na forma de potentíssimos analgésicos que são consumidos não para amenizar dores, mas pela sensação de relaxamento e prazer que provocam. Essa outra epidemia foi responsável por um trágico recorde recém-divulgado: em um ano, mais de 100 000 pessoas morreram de overdose, um aumento de 28,6% em relação ao período anterior, superando o total de óbitos provocados por armas, acidentes de carro e gripe. A alta alarmante foi registrada em 48 dos cinquenta estados e, segundo especialistas, tem relação direta com o novo coronavírus. “O isolamento e o futuro incerto impulsionam o uso de drogas”, diz Shannon Monnat, diretora do Centro Lerner para Promoção da Saúde Pública da Universidade de Syracuse. “Também ficou mais difícil para os usuários acessar os serviços de saúde e as clínicas de recuperação.”

Estabelecido na sociedade por meio do uso indiscriminado de comprimidos tarja preta, sendo o OxyContin o maior vilão, o vício em opioides escalou com a proliferação do fentanil, a substância que matou o cantor Prince em 2016. Cem vezes mais potente do que a morfina e adotado como anestésico intravenoso em cirurgias, o fentanil apareceu neste último ano em metade das mortes por overdose, combinado com cocaína e metanfetamina — uma letal evolução que levou Nova York a abrir dois locais para pessoas se injetarem sob supervisão de assistentes sociais. “Seu custo de fabricação é baixo e ele pode ser contrabandeado em pequenas quantidades”, diz Joshua Sharfstein, da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg.

A disseminação dos opioides tem provocado uma enxurrada de processos contra a indústria farmacêutica e a comunidade médica. Por divulgar o OxyContin como um analgésico com baixo risco de vício, a Purdue Pharma faliu e a família Sackler, dona da empresa, teve de pagar 4,5 bilhões de dólares. Em julho, foi a vez de a Johnson & Johnson e outras três fabricantes de medicamentos selarem um acordo de 26 bilhões de dólares para aplacar litígios. As mortes, enquanto isso, continuam crescendo.

Publicado em VEJA de 8 de dezembro de 2021, edição nº 2767

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique. Assine VEJA.

Impressa + Digital

Plano completo de VEJA. Acesso ilimitado aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias 24h e revista digital no app (celular/tablet).

Colunistas que refletem o jornalismo sério e de qualidade do time VEJA.

Receba semanalmente VEJA impressa mais Acesso imediato às edições digitais no App.



a partir de R$ 39,90/mês

MELHOR
OFERTA

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos de VEJA no site, com notícias 24h e ter acesso a edição digital no app, para celular e tablet. Edições de Veja liberadas no App de maneira imediata.

a partir de R$ 9,90/mês

ou

30% de desconto

1 ano por R$ 82,80
(cada mês sai por R$ 6,90)