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A repercussão na imprensa argentina da prisão de cidadã por racismo no Rio

Agostina Páez teve a detenção preventiva decretada pelo MPRJ por injúria contra funcionários de bar em Ipanema

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 fev 2026, 11h36 • Atualizado em 6 fev 2026, 12h25
  • Após a advogada e influencer argentina Agostina Páez, 29, virar ré e ter sua prisão preventiva decretada por acusações de injúria racial contra funcionários em um bar de Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro, a imprensa de seu país repercutiu o caso de forma ampla, destacando que a situação judicial da cidadã “se agravou” no Brasil.

    De acordo com a denúncia, Páez estava com duas amigas no estabelecimento quando, após uma discussão sobre a conta, insultou um funcionário com expressões relacionadas à cor de sua pele. “Segundo a denúncia, a acusada chamou um funcionário de ‘negro’ com a intenção de discriminá-lo e menosprezá-lo”, afirmou o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). O órgão acrescentou que, mesmo após ser advertida, ela se aproximou do caixa do bar, a quem teria chamado de “macaco” e para quem teria feito gestos imitando o animal. O episódio ocorreu em 14 de janeiro.

    A prisão preventiva, solicitada na quarta-feira 4 pelo MPRJ, baseou-se em um possível “risco de fuga” da influenciadora, natural de Santiago del Estero, e, segundo o site Info del Estero, sua defesa entende que se trata de “uma medida exagerada, já que Agostina sempre cumpriu a lei e esteve disponível sempre que foi chamada”.

    O jornal argentino La Nación deu destaque a um vídeo publicado pela acusada no Instagram, que chamou de “dramático”, após receber a notificação da decisão judicial. “Estou desesperada, estou apavorada e estou fazendo este vídeo para que as pessoas saibam da situação pela qual estou passando”, disse ela.

    Jornal argentino La Nación repercute caso de Agostina Páez, presa no RJ por injúria racial. -
    Jornal argentino La Nación repercute caso de Agostina Páez, presa no RJ por injúria racial. – (La Nación/Reprodução)
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    A publicação disse ainda que ela reconheceu o “excesso” que havia cometido e falou de uma conversa que teve com seu pai, Mariano Páez, um empresário de Santiago del Estero, quando afirmou, segundo o La Nación, que se sentia “abandonada e desamparada pelo meu país”.

    De acordo com o Clarín, a Fundação Apolo, que acompanha o caso, fez um forte apelo ao Ministério das Relações Exteriores da Argentina para que “exerça ativamente a proteção consular” e garanta o retorno de Páez ao seu país. O órgão, segundo informou o jornal argentino, também questionou o uso do caso pelas forças de segurança brasileiras para fins “de dar um exemplo”, disseminando imagens e mensagens em redes sociais oficiais que reforçam uma lógica de estigmatização e “tolerância zero” incompatível com a presunção de inocência e o direito a um julgamento justo.

    Jornal argentino Clarín repercute caso de Agostina Páez, presa no RJ por injúria racial. -
    Jornal argentino Clarín repercute caso de Agostina Páez, presa no RJ por injúria racial. – (Clarín/Reprodução)
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    Clarín também repercutiu um novo vídeo de câmeras de segurança do bar onde ocorreu o incidente, que “mostra claramente um dos garçons fazendo gestos obscenos em direção a Páez”, escreveu a reportagem. “O vídeo mostra o funcionário gritando com ela na rua e agarrando seus genitais, apontando-os para a argentina. O vídeo foi adicionado ao processo”, informou, acrescentando que as imagens “reforçam a versão dos fatos apresentada pela mulher de 29 anos, que desde o início afirmou que ela e seu grupo de amigos foram provocados por funcionários do estabelecimento”.

    O advogado da acusada, Sebastián Robles, afirmou em uma entrevista com a rádio argentina Perfil que no Brasil “não há precedente para tal condenação de um estrangeiro”. Ele acrescentou que o passaporte de Páez foi confiscado, ela foi obrigada a permanecer no país e a usar tornozeleira eletrônica, além da prisão preventiva. “É uma medida completamente desproporcional e arbitrária, já que não há um prazo razoável”, insistiu o jurista na entrevista.

    Rádio argentina Perfil repercute caso de Agostina Páez, presa no RJ por injúria racial. -
    Rádio argentina Perfil repercute caso de Agostina Páez, presa no RJ por injúria racial. – (Perfil/Reprodução)

    Aguardando a resolução de sua situação jurídica em um apartamento, Páez questionou pessoas próximas a ela sobre o motivo do endurecimento da Justiça brasileira em relação aos eventos ocorridos em 14 de janeiro, de acordo com o jornal local El Día, de La Plata. “Ela está muito preocupada e triste; sente que essa punição já é prematura”, disse à publicação uma fonte próxima à acusada.

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