A decisão de Trump sobre o Irã que beneficia Putin e atrai críticas de Zelensky e Europa
Trump suspende sanções ao petróleo russo para baixar preços em meio a guerra no Oriente Médio
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e outras lideranças europeias lançaram duras críticas contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta sexta-feira, 13, após sua decisão de suspender temporariamente as sanções ao petróleo russo, na tentativa de reduzir os preços do barril em disparada devido à guerra contra o Irã.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, anunciou na noite de quinta-feira a medida que beneficia o país de Vladimir Putin, em guerra contra a Ucrânia há quatro anos, permitindo a entrega e a venda de petróleo russo hoje retido em alto mar.
“A suspensão das sanções significa que (a Rússia) receberá mais dinheiro e haverá mais ataques com drones (no Oriente Médio). Não é muito lógico”, disse Zelensky a jornalistas em coletiva em Paris, ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron, referindo-se a um possível apoio do Kremlin, aliado do Irã, à campanha de retaliação promovida pelo regime dos aiatolás. “A Rússia receberá dinheiro para sua máquina de guerra e há muitos drones construídos em solo russo para desestabilizar o Oriente Médio”, acrescentou.
Os ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, seguidos por sua campanha retaliatória contra aliados americanos no Golfo, interromperam o trânsito no Estreito de Ormuz, rota vital por onde passam 20% do petróleo e gás consumidos mundialmente, elevaram os preços dos combustíveis. O preço do barril de Brent, referência mundial, passou de US$ 100 pela primeira vez em quatro anos. Para conter o caos nos mercados globais, Washington autorizou temporariamente a venda de petróleo russo que se encontra em alto mar.
Decisão “preocupante” para a Europa
A decisão também foi recebida com críticas na União Europeia, com o chanceler alemão, Friedrich Merz, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, alegando que a medida mina o apoio à Ucrânia em um momento crítico.
“Aliviar as sanções agora, por qualquer motivo, seria errado”, disse Merz a repórteres nesta sexta, acrescentando que o apoio à Ucrânia não deveria ser “desviado ou dissuadido” pela guerra no Oriente Médio.
Segundo o líder da Alemanha, seis dos sete líderes do G7, grupo das sete maiores economias do mundo, concordaram durante uma reunião nesta semana que levantar o bloqueio à Rússia não era “o sinal certo a ser enviado”. Os Estados Unidos foram a exceção.
“A decisão unilateral dos Estados Unidos de suspender as sanções às exportações de petróleo russo é muito preocupante, pois impacta a segurança europeia”, acrescentou António Costa em declaração separada.
Ele enfatizou que Moscou é a única beneficiária da situação atual, que vê seus cofres lucrando com a guerra no Irã.
“Qualquer medida que permita à Rússia aumentar suas receitas com a venda de petróleo seria problemática, tendo em vista os objetivos mais amplos que temos em relação a enfraquecer a capacidade bélica da Rússia contra a Ucrânia”, acrescentou.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu na quarta-feira que o teto de preços do petróleo russo seja mantido e que as medidas restritivas sejam preservadas. “Este não é o momento para relaxar as sanções contra a Rússia”, afirmou. O presidente francês, Emmanuel Macron, fez coro com suas declarações após sediar uma reunião do G7, na qual declarou que o retrocesso em quaisquer sanções contra Moscou seria injustificado.
A licença concedida pelos Estados Unidos permitirá que importadores comprem petróleo bruto e derivados russos embarcados a partir de 12 de março, autorizando o desembarque dessas mesmas embarcações até 11 de abril. A medida segue uma isenção semelhante concedida à Índia no final de fevereiro.
Por ora, nem essa medida controversa nem a liberação histórica de reservas emergenciais de petróleo anunciada pela Agência Internacional de Energia (AIE) nesta semana aliviaram os preços do combustível.





