O que disse a Rússia após negociações com Ucrânia e EUA em Abu Dhabi
Encontro aconteceu na sexta-feira e no sábado; novas reuniões devem ser marcadas em breve, segundo porta-voz do Kremlin
As negociações para encerrar a guerra na Ucrânia apresentam possíveis sinais de progresso, mas ainda não há grandes avanços e existem grandes desafios no caminho para um acordo final, afirmou nesta segunda-feira, 26, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. A fala segue reuniões na sexta-feira e no sábado entre autoridades russas, ucranianas e americanas em Abu Dhabi.
As conversas, segundo Peskov, foram produtivas e uma nova rodada de negociações está prevista para a próxima semana. O encontro pode acontecer já no próximo final de semana, segundo fontes da diplomacia americana ouvidas pela Associated Press.
“O simples fato de esses contatos terem começado de forma construtiva já pode ser avaliado positivamente, mas ainda há muito trabalho pela frente”, disse o porta-voz.
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Autoridades divulgaram poucos detalhes das negociações recentes. Embora autoridades ucranianas e russas tenham concordado em princípio com os apelos de Washington por um compromisso, Moscou e Kiev divergem profundamente sobre como esse acordo deveria ser estruturado.
A Rússia, que controla cerca de 20% do território ucraniano, exige a retirada completa das tropas ucranianas da região do Donbass, no leste do país. Moscou exige também que Kiev se comprometa a não aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Para os ucranianos, isso seria um golpe duro e, na prática, uma hipócrita recompensa ao Estado agressor que iniciou o conflito. O líder da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou reiteradamente que ceder terras a Moscou é uma “linha vermelha” — embora tenha soado menos firme antes da reunião em Abu Dhabi nesta sexta. “O Donbas é uma questão fundamental que será discutida da maneira que as três partes considerarem adequada”, afirmou.
As negociações do fim de semana abrangeram uma ampla gama de assuntos militares e econômicos e incluíram a possibilidade de um cessar-fogo antes de um acordo abrangente, disse um oficial à Associated Press.
Zelensky, por sua vez, afirmou no domingo que um documento que estabelece as garantias de segurança dos EUA para a Ucrânia em um cenário pós-guerra está “100% pronto”, embora ainda precise ser formalmente assinado.
Kiev tem insistido em compromissos de segurança americanos para o pós-guerra como parte de qualquer acordo de paz mais amplo com Moscou, após a anexação ilegal da Crimeia pela Rússia em 2014 e o apoio aos rebeldes separatistas no leste da Ucrânia, seguidos pela invasão em grande escala em fevereiro de 2022.
Nos últimos meses, Moscou intensificou os ataques contra a rede energética ucraniana, causando apagões massivos e cortes no fornecimento de energia e calefação, especialmente na capital, em pleno inverno e temperaturas polares. No Fórum de Davos, na semana passada, Zelensky voltou a cobrar os aliados europeus por mais assistência de defesa, além de repetir que Putin precisa ser pressionado a fazer concessões — Moscou não parece ter movido um milímetro de suas exigências maximalistas.





