Clique e assine a partir de 9,90/mês

Sistema de câmeras permite analisar a decisão dos árbitros

As imagens, geradas pelos equipamentos na rede e na quadra, também são mostradas no telão do Maracanãzinho

Por Fernanda Thedim - 7 ago 2016, 19h27

Na manhã deste domingo, durante o jogo de estreia da seleção masculina de vôlei, o placar do Maracanãzinho marcava 7 a 5 a favor da equipe do Brasil. O juiz havia acabado de apontar bola fora para o saque do jogador brasileiro, mas o técnico Bernardinho não concordou com a marcação e parou o jogo contra o México para averiguar a jogada no challenger. Trata-se de um sistema com mais de dez câmeras computadorizadas, instaladas ao redor da quadra e em pontos estratégicos da rede, que são acionadas justamente quando algum time contesta a decisão do árbitro, similar ao usado nas partidas da Liga Mundial. Após alguns segundos de análise, as imagens mostraram que a bola tinha tocado sim na linha de fundo, e o ponto de saque dado para o México voltou então para o Brasil. O placar mudou para 8 a 4 e a torcida brasileira foi ao delírio.

O objetivo desse sistema, que está sendo usado pela primeira vez em uma Olimpíada na Rio-2016, é tirar a dúvida da arbitragem e das equipes. Se a bola foi dentro ou fora da quadra, se houve toque no bloqueio ou o jogador invadiu a quadra do adversário, todas as cenas do jogo podem ser revistas. Não só pelos juízes, como pelos espectadores também. Enquanto os árbitros conferem  o ponto, os telões do Maracanãzinho também mostram as imagens. “É uma revolução dentro de quadra. Tem pontos que podem ser decisivos num jogo e até mudar a história de uma Olimpíada”, diz Giovane Gávio, gerente de voleibol do Comitê Rio 2016 e medalha de ouro nos Jogos Barcelona 1992 e Atenas 2004.

Como é a primeira vez que esse sistema é usado nos jogos de vôlei de uma olimpíada, a torcida ainda está se acostumando com a novidade. “O jogo fica parado por cerca de 40 segundos a 1 minutos e isso deixa a torcida inquieta. Em compensação, diminuímos as chances de ter um erro de arbitragem”, diz Giovane. “Hoje o saque alcança os 100 quilômetros por hora. É tudo muito rápido e difícil de ver mesmo. No entanto, cada técnico só pode pedir essa revisão da jogada duas vezes por set. E se ele errar, ele não tem direito a pedir a segunda revisão”, explicou o ex-jogador.

O sistema, similar ao já usado nos maiores torneios de tênis do mundo e também na liga mundial de vôlei, é só um dos exemplos de tecnologia que vêm sendo empregados na Rio-2016. Seja com objetivo de melhorar a performance dos atletas ou ajudar na aferição dos resultados, novos equipamentos estão sendo colocados em uso nessa Olimpíada. Na natação, um contador eletrônico, instalado debaixo d’água, registra o número de voltas nas provas mais longas, de 800 e 1.500 metros nado livre por exemplo. Usado pela primeira vez no Campeonato Mundial de Kazan, em 2015, o equipamento foi testado durante o evento teste no estádio Aquático e está em atividade nas provas. Já na canoagem e no remo, o público tem uma nova visão da prova com o aparelho de GPS fixado nas embarcações. Em tempo real, ele fornece dados como a posição e velocidade dos competidores, transmitidos para o público em um telão onde é possível acompanhar toda a prova.

Publicidade