Rafaela Silva: uma Olimpíada sem medalha
Mesmo sem ter subido ao pódio, a carioca venceu por ter voltado aos Jogos depois de dois anos afastada, flagrada no exame antidoping

A judoca Rafaela Silva, de 32 anos, sonhava em repetir o ouro olímpico conquistado no Rio de Janeiro, em 2016. Contudo, não conseguiu subir ao pódio na categoria até 57 quilos. Ela perdeu para a japonesa Haruka Funakubo, sexta do ranking mundial. Na semifinal, tinha sido derrotada pela sul-coreana Mi-mi Huh, atual campeã do mundo. A decepção era evidente – mas, olhando para a trajetória de vida da moça da Cidade de Deus e seus recentes tropeços, ter chegado a Paris já foi fenomenal. Nascida de família paupérrima, ela começou a treinar no Instituto Reação, montado pelo ex-atleta Flávio Canto. Destacou-se rapidamente. Chegou a dizer que foi para o tatame para não brigar na rua.
Em 2019, contudo, ela foi flagrada no exame antidoping pela presença de uma substância broncodilatadora proibida. Disse ter tido contato com uma criança que tratava asma. O argumento não convenceu as autoridades do esporte, e ela pegou gancho de dois anos. Voltou firme como antes, sempre acompanhada de sua mulher, Eleudis Valentim, ex-judoca, que conheceu em 2019.
Militante de causas de diversidade e contra o racismo, Rafaela é uma esportista que vai muito além de sua atividade. A participação modesta em Paris não a fará menor.