Ancelotti: “O medo é algo importante na vida”
Carlo Ancelotti revela a ansiedade da estreia numa Copa do Mundo, e não é para os fracos
Aquele dorzinha de barriga, a noite em claro, vai começar a Copa do Mundo. A ansiedade parece pesada, como se não fosse possível respirar. O treinador Carlo Ancelotti resumiu o pequeno drama na entrevista coletiva de ontem, véspera da estreia contra o Marrocos, neste sábado, 13 de junho, a partir de 18 horas em Nova Jersey, 19 horas no Brasil: “Medo é algo importante da vida. Se você não tem medo, o leão te parece um gato. Medo é importante para salvar vidas”. O Marrocos não chega a ser um leão, mas também não é um gato. Mas preocupa, e a partida inaugural do Brasil em 2026, no Met Life Stadium, rebatizado de New Jersey New York Stadium dá um medinho, digamos assim.
Os jogadores dormem mal. Quem é do pôquer, vai de pôquer, quem é de conversa, vai no quarto do companheiro. VEJA conversou com dois ex-jogadores que sabem o tamanho do nó. De Alexandre Pato, promessa que não vingou do tamanho que se imaginava, atacante adorado por Ancelotti, que o treinou no Milan: “Sempre é tenso, a ansiedade mexe um pouco com a barriga, mas dá para conversar com os familiares pelo WhatsApp, por vídeo – mas no dia seguinte, quando o jogo começa, tudo isso se apaga, ainda mais se der para marcar um gol logo no começo”. Para Edinho, lateral-esquerdo que participou das Copas de 1978, 1982 e 1986, “o nervosismo é sempre muito grande, mas o juiz apita e é olhar para a frente”.
Pode ser pior? Pode, sim: chegar à final. Pelé, sim, Pelé, revelou ter caído em prantos no ônibus que levava a canarinho do hotel ao estádio Azteca, na Cidade do México, antes da final de 1970. “Estávamos indo para o estádio, no ônibus, e aí comecei a pensar, pensar, e tive um acesso de choro. Abaixava a cabeça, peguei a toalha, não queria que me vissem daquele jeito. Depois percebi ter sido um desabado, uma coisa gostosa”. Dá medo, dá medinho – até que a bola role.
TUDO SOBRE A COPA,
EM UM SÓ LUGAR







