Messi: o último tango em Buenos Aires
A despedida do canhotinho, aos 39 anos, da seleção da Argentina é o fim de uma era
No ônibus, a caminho do estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires, ele chorou como um bebê. Diante de mais de 85 000 pessoas, na terça-feira 6, parecia emocionado mesmo com a bola nos pés. A despedida de Lionel Messi, aos 39 anos, da seleção da Argentina é o fim de uma era. Pela albiceleste, o canhotinho fez 208 partidas e 126 gols — ninguém vestiu tanto a camisa da seleção nem pôs tantas bolas no fundo da rede. Ainda assim, uma disputa não cessa: quem, afinal, foi maior com o uniforme nacional, Messi ou Maradona? Ambos ganharam uma Copa, ambos aparecem em muros pintados pelo país, os dois são heróis. Messi jogou mais tempo e quase sempre bem, embora tenha vencido um Mundial apenas em seu quinto torneio, em 2022. Maradona — que em 1986 jogou quase sozinho e, contra a Inglaterra, fez o gol com “la mano de Dios” e o maior dos gols — foi dramático como um tango e morreu despedaçado em 2020, aos 60 anos. Messi é mais cerebral, mais frio, menos espalhafatoso. O camisa 10 do Inter de Miami busca ainda o milésimo gol (tem 932), um modo de encostar, e apenas encostar, em um outro personagem com quem os vizinhos cismam em compará-lo: Pelé. Mas não — se há equilíbrio com Maradona, com o brasileiro a conversa nem deveria ter começado. Pelé fez mais de 1 000 gols, Pelé ergueu três vezes a taça do mundo, Pelé fez em campo tudo antes dos outros, em um tempo sem TV e, por óbvio, sem redes sociais. Mas basta de relativismo, por um átimo: o adeus de Messi, o último tango em Buenos Aires, foi de chorar, na vitória por 3 a 0 contra o Benim, com um gol de pênalti do craque. “Até nos piores momentos que enfrentamos, nunca deixei de lutar, de brigar, de dar o máximo”, discursou no encerramento da festa. “É uma dor muito grande, eu juro que gostaria de estar (na seleção) a vida inteira.”
Publicado em VEJA de 9 de outubro de 2026, edição nº 3016





