Harry Kane é o número 1 que temos para hoje
As láureas têm o rico pendor de alimentar saudáveis discussões
Ele não é, sejamos claros, um Messi, tampouco um Cristiano Ronaldo. Mas, no reino do futebol contemporâneo, carente de craques absolutos, gênios incontestáveis, Harry Kane, de 33 anos, está na categoria da nobreza. É verdade que muita gente torceu o nariz ao ouvir Ronaldo Nazário (gênio incontestável do passado) anunciar o atacante do Bayern de Munique e da seleção inglesa como ganhador da Bola de Ouro de 2026, na segunda-feira 26, em Londres. Mas, afinal, por que ele, se há o espetacular espanhol Lamine Yamal voando baixo e o francês Kylian Mbappé com a autoridade dos grandes? Cabe um esclarecimento: a honraria criada em 1956 pela revista francesa France Football premia o desempenho individual ao longo da temporada, e não apenas o número de troféus acumulados. Na que passou, Kane marcou 73 gols em 65 partidas por seu clube e pela seleção — média superior a um gol por jogo. Por isso, como artilheiro máximo da Europa, levou outro troféu, a Chuteira de Ouro. Kane, é verdade, é excelente jogador. Recua até o meio de campo, organiza as jogadas, dá passes decisivos e comanda o ritmo do ataque. Foi o que se viu dele na Copa do Mundo, liderando a Inglaterra na campanha que levou a seleção ao terceiro lugar do torneio. Ao unir um volume recorde de bolas nas redes e três títulos expressivos na Alemanha (o da Bundesliga, primeira divisão do campeonato alemão; a Copa da Alemanha e a Supercopa), construiu um caminho que merece aplausos. Não é o número 1 absoluto, mas as láureas têm o rico pendor de alimentar saudáveis discussões. “Para alcançar os sonhos, é preciso trabalhar duro quando ninguém está te olhando”, disse o craque.
Publicado em VEJA de 30 de outubro de 2026, edição nº 3019






