Ginástica rítmica: um abracadabra brasileiro
No Campeonato Mundial de Frankfurt, encerrado no domingo 16, o conjunto verde e amarelo conquistou duas medalhas de ouro por aparelhos
É sempre fascinante quando o Brasil ganha destaque em uma modalidade esportiva que sempre pareceu um pouco distante — foi assim com a ginástica artística de Rebeca Andrade, Arthur Zanetti, Diego Hypolito e Arthur Nory, em sucessivos pódios olímpicos. Agora, celebre-se o sucesso do conjunto brasileiro de ginástica rítmica, mistura de balé e acrobacias, esporte que soa como um espetáculo, por ora praticado apenas por mulheres. No Campeonato Mundial de Frankfurt, encerrado no domingo 16, o conjunto verde e amarelo conquistou duas medalhas de ouro por aparelhos — na apresentação de cinco bolas e na de três arcos e duas maças (assim mesmo, com cedilha), as peças que se assemelham a pinos de boliche, arremessadas ao ar. Na disputa chamada all-around, veio o bronze. Tudo somado, a seleção brasileira ficou no segundo lugar geral, atrás apenas da Alemanha e à frente de países tradicionais na história do torneio, como Bulgária e Rússia. E mais: o desempenho garantiu vaga para a Olimpíada de Los Angeles, em 2028. No mundial do ano passado, as moças tinham conquistado duas pratas. Na chegada ao Brasil — em celebração que por óbvio não houve, por exemplo, para a turma do futebol masculino —, Duda Arakaki, Nicole Pírcio, Sofia Madeira, Mariana Gonçalves, Maria Paula Caminha e Julia Kurunczi foram recebidas com festa no aeroporto do Galeão. “É inacreditável, a gente ainda está em êxtase”, disse Duda. Os próximos passos, ao som de Abracadabra, na voz de Lady Gaga: os Jogos Sul-Americanos de Santa Fé, na Argentina, entre 18 e 21 de setembro. Será bonito de ver, e não há mágica em ótimos resultados construídos com o tempo.
Publicado em VEJA de 21 de agosto de 2026, edição nº 3009







