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Árbitros com microfone desagradam atletas e são defendidos pela LNB

Por Da Redação 7 jun 2012, 05h02

Nos principais jogos da quarta edição do Novo Basquete Brasil (NBB), evento organizado pela Rede Globo em parceria com a Liga Nacional de Basquete (LNB), os árbitros usaram microfones de lapela. Com suas discussões expostas ao vivo na transmissão do Sportv, boa parte dos jogadores e técnicos reprovou a medida, defendida por Kouros Monadjemi, presidente da LNB.

O jogo de basquete tem uma grande quantidade de marcações e paralisações. Assim que tomam alguma medida durante as partidas, os árbitros se dirigem á mesa para explicar a decisão através de gestos. No último NBB, conquistado pelo Brasília no sábado passado, a imagem da transmissão era acompanhada por frases elucidativas dos próprios juízes a respeito de cada lance.

‘As pessoas que entendem de basquete, só de olhar já sabem o que aconteceu. Mas o público de maneira geral não entende nada sobre a regra. Ele sabe que é um esporte emocionante, mas não sabe direito o que o juiz faz. O nosso objetivo foi levar um pouco mais de conhecimento técnico para o grande público. Também acho que o microfone inibe o jogador de sair xingando e o árbitro de perder a linha. Ele educa’, diz Monadjemi.O experiente técnico Cláudio Mortari é abertamente contrário ao uso de microfone pelos árbitros. Comandante do Pinheiros, terceiro colocado na última edição do torneio nacional, ele concorda com o presidente da LNB no sentido didático da medida, porém lembra que o microfone tira do âmbito particular discussões dos juízes com atletas e treinadores durante os jogos.

‘Se ficar limitado a mostrar o que aconteceu tecnicamente, pode até ser válido na hora da sinalização. Mas quando sai dessa didática para mostrar os diálogos durante uma partida, acho que não há interesse. A gente não sabe até que ponto isso pode mudar o comportamento de alguém e coisas que devem ser ditas podem ser camufladas. Além disso, o árbitro controla o microfone e pode ligar ou desligar na hora que quiser. Então, as coisas não funcionam igualmente para os dois lados’, disse.Com os microfones de lapela, os árbitros, evidentemente, ganharam maior exposição durante as transmissões televisivas das partidas. Além do desconforto por ter diálogos e discussões dentro da quadra expostos para o público, alguns jogadores ficaram insatisfeitos com o grau de importância alcançado pelos juízes após a mudança.

‘Com as explicações dos árbitros, mais pessoas entendem a regra e podem virar fãs de basquete. É válido nesse aspecto, mas com isso o centro das atenções não é mais somente o jogador. Em qualquer esporte, quem faz o espetáculo são os atletas. Acho que foi uma tentativa válida e que deve ser analisada’, afirmou Arthur, campeão com o Brasília e convocado para a disputa do Sul-americano pela Seleção Brasileira.

MAGNANO ACEITA ÚNICA FINAL

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A final entre Brasília e São José foi mostrada pela Rede Globo na primeira transmissão de uma partida entre clubes de basquete em TV aberta desde 1997. Rubén Magnano, técnico da Seleção Brasileira, não concorda com a decisão em jogo único, exigência da emissora, mas diz respeitar a medida.

‘Como treinador, eu analiso a parte esportiva e não gosto da final em jogo único. Mas temos outros objetivos: a difusão, o marketing e que mais gente tenha contato com o basquete pela televisão. Os dirigentes tomaram essa decisão e temos que respeitar’, disse o argentino.

A decisão em jogo único, que desagradou alguns atletas, será estudada, diz Kouros Monadjemi, presidente da LNB. ‘Foi uma experiência nova e agora vamos sentar com o pessoal da Globo para fazer uma auto-análise. Nosso objetivo era conquistar um público que nunca viu basquete e os clubes concordaram’.

Questionado sobre a reclamação de alguns jogadores, Monadjemi contesta. ‘Pode até ter um lado negativo e muitos falaram que os árbitros estão virando vedetes. Mas, mesmo sem microfone, sempre que o juiz marca alguma coisa, ele corre para fazer a sinalização no meio da quadra e a câmera vai em cima dele. Com ou sem voz, dá na mesma’, argumentou.

Organizado por uma liga independente de clubes e com a chancela da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), o NBB, criado em 2009, tem como principal bandeira reerguer a modalidade, ofuscada pelo sucesso do vôlei nos últimos anos. Para o árbitro Sérgio Pacheco, o uso dos microfones é apenas mais uma medida na tentativa de popularizar o esporte.

‘O basquete é um produto em que você tem vários recursos para trabalhar. A emissora chega e diz: ‘preciso que vocês usem microfones’. Mesmo contrariado, você usa, em prol do basquete. Tem vezes que nós estamos preparados para começar o jogo e a TV pede mais cinco mitos. Em alguns lances livres, eles até entram na quadra para filmar. Não são coisas normais, mas, pelo basquete, fazemos o que for melhor para o telespectador’, declaro

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