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A segunda despedida de Messi

Dez anos depois da primeira, camisa 10 argentino sai chorando de mais uma final em Nova York

Por Felipe Carneiro, de Nova York 19 jul 2026, 19h55 | Atualizado em 19 jul 2026, 19h58
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A torcida argentina esperou, esperou e, mal acostumada com tantos jogos resolvidos nos minutos finais, esperou ainda mais. Mas quando finalmente Messi foi acionado para resolver o jogo e mostrou algum ímpeto, já no segundo tempo da prorrogação, o tempo foi por demais curto.

No primeiro tempo, Messi mal tocou na bola. Foram 9 vezes. Não deu um pique sequer. Quem corre é a bola, ensinou o mestre Didi, mas dessa vez quem a fazia correr era a Espanha, com seu toque de bola impecável –  e insuportável.

Nenhum argentino no estádio se mostrou preocupado. São 21 anos acompanhando Messi, e eles já aprenderam que o melhor fica para o final. 

Era 26 de junho de 2016, neste mesmo estádio de Nova York e Nova Jersey – antes e depois da Copa, o MetLife Stadium – quando Lionel Messi cobrou o primeiro pênalti da decisão da Copa América Centenário contra o Chile, e chutou por cima do gol. A Argentina perderia a disputa por 4 a 2, e o melhor jogador do mundo desabou.

No vestiário, ainda com a camisa suada e a voz embargada, Messi anunciou o que parecia definitivo: “Ya está, ya lo intenté mucho. Me duele más que a ninguno no poder ser campeón con la Argentina. Me voy sin poder conseguirlo” — “Já chega, já tentei muito. Dói mais em mim do que em qualquer um não poder ser campeão pela Argentina. Vou embora sem conseguir.” Contou, ainda, que aquela era a quarta final que perdia pela seleção: a Copa América de 2007, na Venezuela, contra o Brasil; a Copa do Mundo de 2014, no Maracanã, contra a Alemanha; e as duas Copas América seguidas contra o Chile, em 2015 e naquele 2016. “São quatro finais, não é para mim”, disse, com um riso nervoso de quem não queria chorar na frente dos compatriotas. “Y no le queda bien llorar a un hombre”, diz o tango.

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Lionel Messi, jogador argentino, em close-up na tela de um telão, usando camisa branca e azul da seleção, com medalha no pescoço. Ele olha para cima, com expressão séria. Ao fundo, um campo de futebol e torcedores. Acima, uma faixa azul com a hashtag #FIFAWorldCup. Abaixo, uma arquibancada com público
Messi chora no telão: torcidas de Espanha e Argentina se uniram para aplaudir o craque (Shawn Thew/EFE)

A renúncia durou pouco menos de dois meses. Sob pressão de companheiros, da torcida e do próprio país, que via nele a última chance de repetir 1986, Messi voltou à seleção em setembro daquele ano mesmo, para as eliminatórias da Copa do Mundo. A Argentina ainda erraria, ainda sofreria, ainda dependeria de um Messi cada vez mais cobrado para carregar um time inteiro nas costas. 

Foram 16 anos, da sua estreia em 2005 até a Copa América da pandemia, no Maracanã, em 2021, o primeiro título de Messi. Daí não parou mais. Veio a Copa do Mundo de 2022, decidida nos pênaltis contra a França, numa das finais mais dramáticas da história do torneio, com gol dele no segundo tempo da prorrogação, e pênalti convertido.

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Dez anos depois daquela despedida que não foi, o último tango de Messi – será? 

Seu segundo tempo começou ainda mais apagado. A Espanha começou a se insinuar um pouco mais, mas nada que fizesse palpitar os corações rojos ou albiceslestes. A expulsão de Enzo Fernández, e uma falta bem cobrada por Lamine Yamal, ambos já nos acréscimos, foram o que se espremeu do tempo regulamentar.

Todo o drama que a Argentina acostumou o público a viver nos minutos finais dos jogos foi esfriado pelo rame-rame da Espanha.

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E a Espanha foi crescendo. Sem verdadeiramente empolgar, chegou a 20 chutes a gol contra zero da Argentina. Fez um gol, até, no primeiro tempo da prorrogação, com Nico Williams, anulado por falta de ataque de Mikel Merino no meio da jogada.

No segundo tempo da prorrogação, finalmente, a Argentina cedeu. Pedro Porro lançou da intermediária na cabeça de Nico Williams, que ganhou a disputa no alto com o goleiro Dibu e ajeitou de cabeça para trás. Ferran Torres, o herói do título, chutou para o gol vazio. O estádio, de maioria azul e branca, não explodiu.

Passado o choque, os argentinos passaram a clamar por mais um milagre de Messi. Como não haveriam de clamar? Se aconteceu contra Cabo Verde, Egito, Suíça e Inglaterra, por que não contra os espanhóis?

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Sob os gritos da torcida, Messi finalmente apareceu. Apareceu na ponta direita, driblou pelo meio, achou passes improváveis. Conseguiu dois escanteios, de onde saíram as duas únicas finalizações da Argentina em 120 minutos, fora os acréscimos.

Não deu tempo. 

A Espanha é campeã do mundo pela segunda vez, sem causar nenhuma emoção fora da península ibérica.

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Ao fim do jogo, foi a vez da câmera procurar por Messi. E o encontrou chorando. O estádio inteiro aplaudiu. Porque o tango não acaba com “Não cai bem chorar um homem”. A letra continua: “É isso que me dizem os que não respeitam a dor alheia”. 

Aos 39 anos de idade, Messi se despede mais uma vez. Dessa vez, aclamado pelos argentinos. 

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