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Na primeira fila

Grandes cineastas agora produzem e lançam seus trabalhos na Netflix. Entre os convertidos já se contam Alfonso Cuarón e os irmãos Coen

Por Isabela Boscov 16 nov 2018, 07h00 • Atualizado em 4 jun 2024, 16h22
  • Detentores do recorde de bilheteria para um faroeste na última década — os mais de 250 milhões de dólares arrecadados por Bravura Indômita, de 2010 —, os irmãos Joel e Ethan Coen retornam ao gênero com o seu humor sardônico de hábito, mas num formato diferente: um longa constituído de seis pequenos contos que homenageiam e/ou parodiam facetas diversas do western, desde as produções romantizadas dos anos 50 até, é claro, os spaghetti do italiano Sergio Leone. Entretanto, o que há de mais surpreendente em A Balada de Buster Scruggs (The Ballad of Buster Scruggs, Estados Unidos, 2018) é que, em vez de vê-lo numa sala de cinema, o espectador que for assinante da Net­flix assiste ao filme em casa a partir desta sexta-feira 16.

    Na sexta-feira anterior, a plataforma já havia lançado outro trabalho inédito de um nome festejado: Legítimo Rei (Outlaw King, Inglaterra/Estados Unidos, 2018), em que o diretor David Mackenzie, de A Qualquer Custo (quatro indicações ao Oscar do ano passado, incluindo a de melhor filme), conta a história do nobre escocês Robert The Bruce, que no século XIV deu uma bela coça no exército inglês do rei Eduardo II. E, em 14 de dezembro, o gigante do streaming joga a sua cartada mais ambiciosa com a estreia de Roma, que em setembro garantiu o Leão de Ouro ao cineasta mexicano Alfonso Cuarón, de Gravidade. Tra­ta-se de uma investida orquestrada e de objetivo muito claro: rechaçada por festivais como o de Cannes e por muitos diretores, a Netflix está determinada a provar que é capaz de bancar não filmes, meramente, mas produção cinematográfica com “c” maiúsculo.

    A despeito do plantel de talentos que vem atraindo, a plataforma colhe resultados ainda dúbios. Legítimo Rei, por exemplo, tem produção de primeira categoria, cenas de batalha impressionantes e elenco vistoso, encabeçado por Chris Pine e pela magnífica Florence Pugh, revelada em Lady Macbeth. Mas faltam-lhe a tração e a economia narrativas que tanto chamaram atenção para o escocês Mackenzie em A Qualquer Custo (também protagonizado por Pine). Da mesma forma, Buster Scruggs é irregular. Tem episódios que são um deleite (como o primeiro, que dá nome ao longa) e outros extraordinários, como o que acompanha uma jovem pioneira (Zoe Kazan) na perigosa Trilha do Oregon. Perto de Algodones, com James Franco, é um tributo delicioso a Era uma Vez no Oeste, de Leone. Em outras ocasiões, no entanto, os irmãos Coen se mostram indulgentes para com suas ideias; é provável que, em um lançamento destinado aos cinemas, limitassem a autocomplacência. Dos três, Roma é o que de fato crava o alvo, ao aplicar a liberdade proporcionada pela Netflix em uma história pessoal, intensa, que enfrentaria resistência nos estúdios. Uma coisa é certa: esta é só a linha de frente dos convertidos ao streaming.

    Publicado em VEJA de 21 de novembro de 2018, edição nº 2609

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