Impulsionados pela quarentena, e-books ganham popularidade inédita
Os livros digitais caíram nas graças do público e se tornaram alternativa para manter o hábito de leitura durante o confinamento
O coronavírus pode ter obrigado as livrarias a fechar as portas, mas a fome dos leitores por novas histórias continua — e as telas dos smartphones e de e-readers tornaram-se aliadas para manter o hábito de leitura durante o confinamento. Segundo um levantamento da Bookwire, que distribui e-books para cerca de 550 editoras no Brasil, o consumo de livros digitais deu um salto durante a quarentena.
Entre meados de março e o início de abril, a empresa distribuiu 9,5 milhões de exemplares digitais, entre pagos e gratuitos. O número corresponde a 80% do volume comercializado durante todo o ano de 2019 – período já considerado acima da média pelo diretor Marcelo Gioia. Tamanho crescimento pode ser explicado pelas promoções em massa das editoras, que passaram a disponibilizar e-books com preços muito reduzidos, e até mesmo gratuitos, no início do confinamento. “As ações durante a pandemia formaram novos leitores digitais, que passaram a consumir o formato neste primeiro momento”, explica Gioia.
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Uma das estratégias adotadas pelas editoras é o Digital First, um termo “chique” que, na verdade, descreve algo bem simples: lançar a versão digital antes do título físico. A ação foi um dos caminhos seguidos pela editora Planeta para driblar a crise. Colo, Por Favor! Reflexões em Tempos de Isolamento, de Fabrício Carpinejar, e Você É Ansioso? Reflexões Contra o Medo, de Luiz Felipe Pondé, estão disponíveis em e-book e serão lançados posteriormente em papel. Já a obra o Autocontrole em Tempos de Estresse, de Augusto Cury, e a coleção O Mundo Pela Janela de Casa — que reúne contos inéditos ligados ao isolamento social — chegarão ao leitor exclusivamente em formato digital. O resultado foi um crescimento de 106% em relação a arrecadação prevista para abril com os e-books.
Além de ser uma alternativa logisticamente mais confortável em meio a pandemia, os livros digitais também são um meio de fomentar a leitura no confinamento. Nesse sentido, as promoções são essenciais para atrair o leitor para o formato. A Rocco fornece mensalmente uma lista de trinta títulos digitais sem custo. Na segunda quinzena de março, a Sextante chegou a distribuir 1,2 milhão de e-books gratuitos. “O plano é trazer o leitor para o ambiente digital. O e-book tem facilidades, principalmente em relação a portabilidade e agilidade”, analisa Marcos Pereira, dono e co-fundador da Sextante.
A um clique de distância
Quando o leitor busca um livro na internet, ele pode manter sua paixão pelo papel e receber o título físico em casa. Porém, com a pandemia, que afetou a logística da distribuição de algumas lojas, o dinamismo dos e-books, que chegam ao comprador de imediato, é uma vantagem e tanto. O preço reduzido também é um atrativo à parte em um cenário econômico conturbado. “Por mais que os livros físicos ainda sejam entregues, ficou tudo mais complexo. O e-book, em geral, é mais barato, e uma alternativa econômica diante de tanta gente enfrentando dificuldades financeiras com a renda reduzida”, analisa Cassiano Elek Machado, diretor editorial da Planeta.
Espera-se que o mercado editorial pós-pandemia mude drasticamente. Segundo dados da Bookwire, mesmo com a diminuição das gratuidades e ofertas em maio, as duas primeiras semanas do mês registraram três vezes mais vendas digitais do que o mesmo período do ano anterior. É difícil prever o que vai acontecer, mas os números são um indicativo de que os livros digitais podem cair nas graças do leitor mesmo com o fim da quarentena. Para Machado, tudo é uma questão de hábito, e a leitura de livros digitais durante esse período provavelmente terá impacto na maneira como a literatura será consumida no futuro. “Quando a pessoa cria um hábito novo, ela tende a seguir com ele. Os livros digitais tem vantagens importantes, uma vez que se aprende a operar nesse formato, as pessoas passam a consumi-lo mais.”
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