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Flip nega ter convidado Bolsonaro para abrir evento em 2020

Em meio a críticas por escolha da próxima homenageada, a autora Elizabeth Bishop, organização divulgou comunicado para se posicionar sobre 'fake news'

Por Redação - Atualizado em 27 nov 2019, 12h05 - Publicado em 27 nov 2019, 11h53

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) divulgou uma nota negando ter convidado o presidente Jair Bolsonaro para a abertura da edição de 2020, e que todas as informações que estão circulando sobre uma possível presença do mandatário no evento são “fake news”.

“A Flip nega que Jair Bolsonaro tenha sido convidado ou vá participar da Festa da Literatura Internacional de Paraty de 2020. As fake news que circulam pelas redes sociais anunciando a presença do presidente no evento não têm nenhum fundamento”, diz o comunicado divulgado para imprensa.

A notícia começou a circular nas redes sociais depois que o site Brasil 247 afirmou que “o presidente Bolsonaro anunciou que fará a abertura da feira”, sem citar ou identificar o meio em que o presidente fez o anúncio.

A festa está marcada para ocorrer entre os dias 29 de julho e 2 de agosto de 2020 e terá como homenageada a poeta americana Elizabeth Bishop (1911-1979). Realizada desde 2003, esta será a primeira vez que a Flip homenageará um autor estrangeiro. O anúncio oficial ocorreu no início da noite de segunda-feira, 25, no Itaú Cultural, em São Paulo.

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Elizabeth Bishop

Nascida em Worcester, nos Estados Unidos, em 1911, Elizabeth Bishop passou 20 anos no Brasil. Entre 1951 e 1971, morou no Rio, em Petrópolis e Ouro Preto. De 1951 a 1965, viveu com a arquiteta Lota de Macedo Soares — o romance das duas é retratado no filme Flores Raras, de Bruno Barreto, interpretadas pela atriz australiana Miranda Otto e pela brasileira Glória Pires.

A escolha da Flip causou controvérsias entre a classe literária: Elizabeth apoiou a ditadura militar em 1964 e fez comentários negativos e preconceituosos contra o Brasil em alguns momentos de sua vida.

Em uma carta ao poeta americano Robert Lowell, por exemplo, Elizabeth disse que “nada parece sólido ou realmente criado” nos poemas de Manuel Bandeira.

“Manuel Bandeira é delicado e musical e tudo o mais — nada parece sólido ou realmente ‘criado’ — é tudo pessoal e tendendo para o frívolo. Um bom poema de Dylan Thomas vale mais do que toda a poesia sul-americana que já vi, com a exceção, possivelmente, de Pablo Neruda”.

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No livro Brazil a escritora diz: “De fato, a bananeira é um ótimo símbolo para o país e para o que aconteceu e continua a acontecer nele”. Ou ainda: “Muitos talentos brasileiros genuínos parecem ir para a cama muito cedo — ou para as redes”.

Sobre o golpe de 64, Elizabeth escreveu ao amigo Robert Lowell: “Foi uma revolução rápida e bonita, debaixo de chuva – tudo terminado em menos de 48 horas.”

A curadora da Flip, a jornalista e editora Fernanda Diamant defendeu a homenageada e disse que a escolha se remete exatamente pelas “opiniões polêmicas e contraditórias” de Elizabeth Bishop.

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