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Esquema de fraude no MEC envolveu invasão e espionagem

Invasão do prédio onde funciona a área financeira do Fies, marcou início da investigação

Por Hugo Marques 14 fev 2021, 13h29

Uma reportagem de VEJA desta semana revelou a existência de uma investigação interna no Ministério da Educação (MEC) que descobriu uma fraude superior a 1 bilhão de reais no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Um grupo de 20 faculdades privadas estava burlando o programa.  Segundo os técnicos da pasta, 30% de tudo que era repassado de maneira irregular às entidades de ensino retornava a Brasília em forma de comissões e propina — dividida entre escritórios de lobby, advogados e servidores públicos. A Polícia Federal abriu inquérito para apurar o caso, que, descobre-se agora, também tem ingredientes  de espionagem.

Ao tomar conhecimento das fraudes, o ministro Milton Ribeiro determinou que fosse feita uma ampla investigação em todos os contratos. Em novembro, logo depois do início dos trabalhos, os auditores descobriram que houve uma invasão do setor onde funciona a área financeira do Fies. Os invasores copiaram dados de processos e apagaram informações que estavam armazenadas nos computadores do órgão. A PF também investiga o caso. A principal pista, por enquanto, é o pendrive de um servidor que foi apreendido.

Em nota, o MEC confirmou que, ao detectar os primeiros indícios de irregularidades na concessão de empréstimos a estudantes, em novembro do ano passado, imediatamente solicitou o apoio da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU). Também de pronto, o ministro Milton Ribeiro afastou o coordenador do programa, Flávio Carlos Pereira, que ocupava o cargo desde 2012, nomeado no governo Dilma Rousseff. O afastamento do servidor ocorreu uma semana após a invasão do prédio.

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