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Conheça ‘42’, a universidade de tecnologia sem professores

A instituição, criada em Paris, é gratuita, não conta com docentes nem oferece diplomas aos alunos que terminam o curso

Por Da redação 14 nov 2016, 16h36

Uma universidade privada voltada para programação de computadores e desenvolvimento de software resolveu ousar no seu modelo de educação. Sem professores, livros, emissão de diploma e gratuita, a ‘42’, como foi nomeada, é uma instituição francesa que inaugurou no final de outubro a sua segunda unidade no Vale do Silício, na Califórnia, nos Estados Unidos. Em 2013, quando a primeira unidade foi aberta, em Paris, cerca de 70 000 interessados se inscreveram para tentar uma vaga, mas apenas 3.000 estão estudando na universidade.

A nova unidade deve receber cerca de 1.000 alunos americanos interessados em estudar tecnologia. O método de ensino utilizado é colaborativo, em que os alunos avaliam os trabalhos uns dos outros e as atividades são sempre em grupo. O fundador da universidade é o bilionário francês Xavier Niel, dono da empresa de telecomunicações Iliad. Ele financiou a criação da instituição investindo 100 milhões de dólares, cerca de 344,4 milhões de reais.

Para Niel e seus sócios, o método de aprendizagem é melhor que o sistema utilizado atualmente, que incentiva os estudantes a serem receptores passivos de conhecimento. Segundo ele, ex-alunos da instituição conseguiram empregos em empresas renomadas, como IBM, Tesla e Amazon.

O nome ‘42’ é uma referência ao clássico de ficção científica “O Guia de Mochileiro das Galáxias”, do autor inglês Douglas Adams. Na série da década de 1970, o número 42 é a resposta dada pelo computador Pensador Profundo a dois jovens sobre a questão fundamental da vida, o universo e ‘tudo mais’. Os personagens da história ficam indignados com a resposta recebida e a máquina afirma que nem eles sabiam qual era pergunta correta a se fazer.

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Para entrar na universidade, o principal requisito é ter entre 18 e 30 anos. Os recrutadores não analisam as qualificações acadêmicas anteriores dos candidatos. Grande parte do processo de admissão é online e o primeiro passo é  enviar um formulário preenchido disponível no site oficial. Depois, os responsáveis enviam, via email, testes de memória e lógica. Dependendo da posição no ranking geral, os supervisores pedagógicos convocam os candidatos aprovados.

Universidade do Futuro

Quem estuda na 42 não tem aulas fixas e pode escolher quais projetos quer desenvolver. O aluno deve optar por criação de website ou de jogos de computador. O ambiente oferecido é similar ao que os futuros profissionais irão encontrar em empresas, em uma dinâmica que “remove a relação de subordinação dos estudantes”. “Como cada aluno dentro do grupo é responsável por uma parte da conclusão do projeto, o resultado final só será um sucesso com a contribuição de todos, como acontece nos locais de trabalho”, afirma o site oficial da universidade.

O alunos terminam a universidade quando atingem o nível 21 do projeto, o que, segundo os responsáveis pela ‘42’ , pode demorar entre três e cinco anos. “O retorno que temos recebido dos empregadores é que os jovens que formamos são mais preparados para buscar informações por si mesmos, por exemplo, sem precisar perguntar ao supervisor o que devem fazer,” disse Brittany Bir, chefe de operações da 42 na Califórnia e ex-aluna no campus de Paris, em entrevista à BBC.

Críticas

Especialistas de educação parabenizam a coragem do francês e seus sócios em utilizarem esse método de ensino, mas criticam a ausência de professores supervisionando os projetos.

“A razão decisiva para a existência de um professor é orientar os estudantes no enfrentamento de assuntos complexos, ambíguos e que geralmente escapam à sua capacidade de entendimento”, afirmou Dan Butin, reitor da escola de educação e política social do Merrimack College de Massachusetts, nos Estados Unidos, ao site inglês.

A ex-aluna Brittany afirma que o método de ensino funciona apenas para alunos que sabem trabalhar em equipe e que aceitam os possíveis retornos negativos nas avaliações feitas pelos colegas de classe.

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