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Comércio comemora reabertura em SP, mas tem receio de novas restrições

Reabertura causa sensação de alívio no varejo e de incerteza com o futuro; empresários reclamam de critérios adotados pelo governo de João Doria

Por Felipe Mendes Atualizado em 17 abr 2021, 00h26 - Publicado em 16 abr 2021, 18h04

Ainda com um número elevado na taxa de internação em decorrência da Covid-19 no estado, o governo de São Paulo anunciou nesta sexta-feira, 16, uma nova fase de flexibilização para o funcionamento do comércio varejista e de igrejas. A partir do próximo domingo, dia 18, shopping centers e lojas de rua poderão voltar a abrir, em horários reduzidos e capacidade de ocupação limitada. Uma semana após a primeira flexibilização, bares, restaurantes e academias voltam a funcionar, também com medidas restritivas. Embora não seja a reabertura tão sonhada por alguns comerciantes, a ação do governo paulista gerou certo alívio em alguns empresários. O receio de novos fechamentos com uma eventual piora da pandemia no país, no entanto, segue no radar.

Presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Glauco Humai, reuniu-se com integrantes do governo paulista nos últimos dias. Na agenda das duas últimas semanas, houveram encontros virtuais com a secretária de desenvolvimento econômico do estado, Patrícia Ellen, e o secretário de estado de habitação, Flavio Amary. Nas conversas, Humai tentou convencê-los de que a reabertura dos complexos comerciais não ocasionaria em explosão dos casos de Covid-19, usando exemplos de outras regiões para isso. Ele destacou ainda que as medidas de restrição têm prejudicado comerciantes. “Não temos evidências da tese do governo de São Paulo de que fechar shoppings diminui a circulação de pessoas e a quantidade de leitos de UTIs disponíveis. São Paulo ficou 42 dias fechado e só começou a melhorar nesse quesito agora”, diz ele. “Isso nos incomoda um pouco.”

  • Em coletiva de imprensa na tarde desta sexta, Ellen afirmou que a fase de transição se trata de um “voto de confiança” para que os setores econômicos possam se preparar para a retomada. Humai faz questão de destacar que seu posicionamento não se trata de “negacionismo”, e sim de tentar entender quais são os critérios adotados pelo governo para definir quais setores da economia podem funcionar. “O setor não é negacionista, só que a gente está no limite. Não temos ajuda dos governos e estamos sendo massacrados. Se 60% das atividades econômicas do estado estão funcionando, como a própria Patrícia já nos disse em algumas reuniões, a impressão que fica é que o comércio está pagando essa conta pelos outros setores”, diz Humai.

    O executivo sugere que, em caso de necessidade de novas medidas restritivas, se faça um rodízio para o funcionamento dos setores. “Se tiver que fechar novamente, que se faça um rodízio. Deixe o nosso setor funcionar alguns dias e fecha outro. Não é justo penalizar só o comércio”, opina. Hoje, são 365 em funcionamento pelo país. Com a reabertura em São Paulo, esse número salta para 553. Para ele, o horário de jornada escolhido pelo governo de São Paulo (das 11h às 19h) não era o desejado pela entidade. “O nosso pleito era que os shoppings abrissem das 12h às 20h, porque isso afastaria mais o horário de fechamento do período de rush, que é por volta das 18h.”

    Restaurantes

    Colocados em segundo plano na escala de reabertura anunciada pelo governo paulista, bares e restaurantes agonizam. Segundo uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, a Abrasel, 91% dos empresários do setor estão com dificuldades de pagar salários em dia. Paulo Solmucci, presidente da entidade, reclama dos critérios utilizados pelo governador João Doria (PSDB) para a reabertura. “Nos frustra profundamente que São Paulo seja o único estado no Brasil em que bares e restaurantes estejam proibidos de funcionar. É uma atitude preconceituosa. Falta critério e sensibilidade com o nosso setor”, desabafa.

    As empresas do setor poderão voltar a funcionar em São Paulo a partir de 24 de abril, com limites de capacidade ocupacional e horário reduzido, das 11h às 19h. “O horário é ruim. Mantém o setor de bares completamente aniquilado”, afirma Solmucci. “A dificuldade agora é recuperar o setor. Nós viramos zumbis. Somos empresários mortos-vivos.”

    Em âmbito federal, Solmucci reclama da letargia do governo em aprovar uma nova rodada do BEm, o programa de manutenção do emprego e da renda, que mitigou as demissões durante a paralisação da economia em 2020. “Prometeram esse programa há 80 dias e, até agora, nada aconteceu. Se tivessem lançado o BEm, a gente estava pelo menos com os salários suplantados”, diz. Ele se reuniu na última terça-feira, 13, com o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, para falar sobre a situação do setor. Ouviu de Guedes que uma nova rodada do Programa Nacional de Apoio às Micro Empresas e Empresas de Pequeno Porte, o Pronampe, será colocado em pauta na próxima semana.

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