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Teatro Oficina: ‘easter egg’ para Zé Celso no gabinete de Holiday

Foto que estampava a área de trabalho de um dos desktops da equipe do vereador do MBL mostra apresentador recebendo dinheiro de Michel Temer

Por Maria Carolina Maia Atualizado em 22 jun 2018, 16h50 - Publicado em 19 jun 2018, 13h30

O gabinete do vereador Fernando Holiday, integrante do MBL (Movimento Brasil Livre) eleito pelo DEM, que recebeu há duas semanas a companhia Teatro Oficina, tinha, digamos, um easter egg – aquela surpresinha escondida em filmes e séries que carrega uma espécie de mensagem subliminar – para o grupo de José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso. Um dos computadores da equipe de Holiday, pressionado no encontro para fazer avançar na Câmara dos Vereadores o projeto de criação do Parque do Bixiga, tinha como fundo de tela uma foto de Silvio Santos recebendo dinheiro das mãos de Michel Temer.

  • Foto tirada por integrante do Teatro Oficina na visita ao gabinete de Fernando Holiday Teatro Oficina/Reprodução

    A imagem é de janeiro deste ano, quando Temer foi ao Programa Silvio Santos, no SBT, fazer campanha pela Reforma da Previdência. O apresentador se mostrou um apoiador da reforma, um aliado de Temer. Já do Oficina Silvio Santos é um velho antípoda. Dono dos terrenos que rodeiam o teatro, o empresário planeja construir ali três edifícios de cem metros de altura para comercializar unidades residenciais. A companhia pleiteia o espaço para criar um parque público, proposta que já fazia parte do projeto da arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi, responsável pela última grande reforma realizada no Oficina. Ela morreu antes de reinaugurar o prédio. Silvio Santos se recusa a negociar os terrenos, hoje vazios.

    O edifício do Teatro Oficina é tombado e tanto o grupo como arquitetos e intelectuais veem no projeto de Silvio Santos uma ameaça à sua vista e à sua relação com o entorno, o bairro, a cidade. Dois órgãos de defesa do patrimônio, no entanto, mudaram seu entendimento sobre a questão e deram aval para o empreendimento da Sisan, o braço imobiliário do Homem do Baú.

  • No encontro – você pode ver na íntegra o registro feito pelo Teatro Oficina, abaixo –, Holiday se mostrou contra a ideia do parque. Primeiro, lembrou a já lendária reunião entre Zé Celso, Silvio Santos e João Dória, que na ocasião disse que a prefeitura não tinha dinheiro para o parque. Depois, afirmou ver na iniciativa do Oficina uma ameaça à propriedade privada. “É um caminho perigoso para São Paulo e para o Brasil relativizar a propriedade privada dessa maneira.” Por fim, admitiu ter receio de que o Parque do Bixiga contribuísse para a difusão de “uma atividade cultural com a qual a gente não concorda”, no que foi acusado de censura por uma atriz da companhia.

  • Zé Celso, que já havia cantado para ele uma versão do Soneto do Olho do Cu, de Rimbaud e Verlaine, parte de uma peça da companhia que horrorizou Holiday, assistiu a esse embate em silêncio. O encontro foi intermediado pelo petista Eduardo Suplicy. O projeto do Parque do Bixiga é de autoria de Gilberto Natalini, do Partido Verde.

     

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