Sterling K. Brown: “Quero mostrar que somos boas pessoas”
O astro americano explica por que aprecia os papéis de homens negros íntegros como o protagonista da série 'Paradise'
A série Paradise — cuja segunda temporada estreia na segunda-feira 23 no Disney+ — imagina um futuro em que parte da humanidade vive em um bunker após o fim do mundo como conhecemos. O que esperar da nova fase da produção que o senhor estrela? O público vai descobrir se o resto do mundo sobreviveu. E, se sobreviveu, como isso foi possível. Acho que tragédias trazem à tona o melhor e o pior de nós como seres humanos. Com sorte, mais o melhor do que o pior.
Assim como seu Randall de This Is Us, o Xavier de Paradise é um pai de família íntegro. A escolha por personagens assim tem algo a ver com a imagem que você deseja passar como um homem negro? Sim, e eu me considero privilegiado por poder interpretar esse tipo de homem. Historicamente, eles nem sempre foram destinados a pessoas que se parecem comigo. Quero mostrar para o mundo que somos boas pessoas, com bom coração e uma bússola moral forte, dispostos a contribuir com a sociedade.
Por quê? Quanto mais pessoas nos enxergarem dessa forma, mais o mundo pode nos tratar com respeito. Mas gosto de viver todo tipo de personagem, inclusive os caras malvados. Você vai ver, eles ainda virão por aí.
Há vários filmes e séries de sucesso sobre o fim do mundo. Por que o tema atrai tanto? Todo mundo se pergunta como será o fim do mundo. Está na Bíblia, e nas revelações. Gosto de pensar em Jurassic Park e nessa ideia de trazer dinossauros de volta como um paralelo. Em algum momento, eles dominaram o mundo e estavam por todos os lados. E, então, foram extintos. Isso é parte do ciclo da vida. Uma espécie domina o planeta por um tempo e, de repente, não está mais aqui. Por isso imaginamos como tudo vai acabar.
Tramas como essa podem ter algum impacto sobre as pessoas em meio a questões como as mudanças climáticas? Essas narrativas nos ajudam a ter consciência de como podemos ser mais responsáveis com o planeta enquanto estamos por aqui. Tanto em relação às coisas que fazemos que podem transformar essas catástrofes em realidade, quanto com as medidas que podem ser tomadas para diminuir isso e evitá-las. Sempre vai haver algum tipo de eco da realidade nas narrativas. Toda história que você coloca no mundo vai reverberar de alguma forma no universo em que vivemos naquele momento. No caso de Paradise, espero que não seja com o fim do mundo de verdade.
Publicado em VEJA de 20 de fevereiro de 2026, edição nº 2983





