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Sean Connery, o pai dos heróis de ação de Hollywood

Ao encarnar James Bond em sete filmes, o ator moldou um paradigma de masculinidade, e trouxe bilheterias milionárias

Por Raquel Carneiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
6 nov 2020, 06h00
PAI DOS HERÓIS DE AÇÃO – Connery como Bond: modelo de masculinidade – (Sunset Boulevard/Getty Images)

Quando Sean Connery perguntou a Ian Fleming (1908-1964) sobre como interpretar James Bond, o escritor e criador do personagem explicou que o indefectível 007 se diferenciava dos demais espiões por suas maneiras esnobes. Para fugir do insosso estereótipo do agente secreto acima de suspeitas, Bond foi desenhado por Fleming como um playboy charmoso, com gosto exagerado por bebidas, roupas e mulheres bonitas — distrações que não afetavam, porém, suas habilidades na hora de realizar uma missão. Em O Satânico Dr. No (1962), Connery foi o primeiro responsável por dar corpo e charme ao 007 no cinema. Foi também o único ator que Fleming testemunhou nas telas — e ele não decepcionou.

Criado em uma família pobre em Edimburgo, o ator escocês — morto no sábado 31, aos 90 anos — passou a adolescência trabalhando em bicos até se alistar na Marinha. Diagnosticado com uma úlcera, foi dispensado do serviço militar e, aos 20 anos, passou a se dedicar ao futebol e ao fisiculturismo. O porte físico o levou à atuação, em papéis que exigiam músculos e altura — ele media 1,88 metro. Estreou no teatro nos anos 50 e passou pela TV antes de conquistar o alinhado terno do agente que o colocaria no mapa.

Ao encarnar James Bond em sete filmes, Connery definiu o que viria a ser o padrão do herói de ação de Hollywood, e trouxe bilheterias milionárias. Ele moldou, ainda, um paradigma de masculinidade potente, mas classudo, que faria escola. Mais que ficar estigmatizado pelo personagem, o ator se tornou uma régua de comparação nunca superada por todos os que vieram depois dele. “Connery ajudou a demarcar a era moderna dos filmes arrasa-quarteirão”, disse Daniel Craig, o atual Bond, sobre o colega de dry martini.

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No auge da carreira, Connery quis explorar mais seus talentos. “Preciso de diálogos melhores”, disse certa vez, cansado da correria e da atuação física que Bond exigia. A transição o ajudou a deixar para trás a estampa do homem bonitão e invencível, rumo à posição de prestígio de um ator diverso, sensível e com algo a dizer. Explorou diferentes gêneros, adicionando ao currículo outros títulos notáveis, como o fantasioso Zardoz (1974) — que imortalizou a imagem de Connery cabeludo e de mankini (espécie de biquíni masculino) —, os dramáticos e belos O Homem que Queria Ser Rei (1975) e O Nome da Rosa (1986), além do longa que finalmente lhe daria um Oscar, Os Intocáveis (1987). Maduro, renovou sua imensa popularidade atuando na franquia Indiana Jones, em 1989. Connery conseguiu superar o passado como 007 — e seu legado ficará.

Publicado em VEJA de 11 de novembro de 2020, edição nº 2712

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