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Robert Hunter: O bardo psicodélico

Compositor morreu na segunda-feira 23, aos 78 anos

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 set 2019, 06h55 | Atualizado em 4 jun 2024, 15h35

Integrante fundamental da banda Grateful Dead, Robert Hunter curiosamente nunca pisou no palco ao lado dos demais músicos do conjunto californiano, que foi a perfeita tradução do espírito lisérgico dos anos 60. Hunter era a figura dos bastidores que compunha as letras do Grateful Dead ao longo dos trinta anos em que o grupo de rock e folk permaneceu na estrada — em 1995, a morte do vocalista Jerry Garcia encerrou as atividades da banda.

Hunter e Garcia ficaram amigos quando tinham 18 e 19 anos, respectivamente. Antes do Grateful Dead, apresentaram-se com conjuntos de bluegrass por alguns trocados — Hunter tocava desde guitarra até trompete. Pouco depois, ele se submeteu a um absurdo experimento na Universidade de Stanford, comandado sigilosamente pela CIA: o MK Ultra, que testava o efeito de substâncias como o LSD nos voluntários.

As drogas despertaram nele o desejo pela escrita, o que resultou em composições psicodélicas como China Cat Sunflower, nascida de uma alucinação com um gato cercado por um arco-íris. Hunter era obcecado por rimas — dizia alimentar um dicionário mental de palavras com sonoridade parecida. Movido por pirações espirituais típicas da era hippie, criou versos caros à contracultura. Seu trecho favorito aparece na canção Ripple: “Existe uma fonte que não foi feita pelas mãos dos homens”. Teve, ainda, uma parceria clássica com Bob Dylan no disco Together Through Life. Morreu na segunda-feira 23, aos 78 anos, de causa não divulgada, em sua residência na Califórnia.

Publicado em VEJA de 2 de outubro de 2019, edição nº 2654

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