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Pedro Bandeira: “Livros são o início de tudo”

Aos 83 anos, autor brasileiro que já vendeu 31 milhões de livros juvenis fala da adaptação do sucesso A Droga da Obediência para o cinema

Por Thiago Gelli Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 dez 2025, 08h00 • Atualizado em 24 dez 2025, 13h22
  • Seu maior best-seller, A Droga da Obediência, vai virar filme com produção da Globo Filmes e Conspiração. Há quanto tempo desejava isso? Sempre foi certeza minha que esse livro seria adaptado para as telas. Escrevi nos anos 1980 com todas as cenas em mente. Muitas tentativas já foram feitas, mas só agora conseguimos os parceiros certos — e são os melhores — para a adaptação finalmente chegar ao público. É talvez o meu grande sonho.

    Aos 83 anos, o senhor supervisiona o roteiro de Luca Paiva Mello, André Catarinacho e  Bruna Skrzypek. Está contente com o resultado? Estou exultante. Não é trivial adaptar uma obra dos anos 1980 para os dias de hoje, ainda mais com a velocidade em que as mudanças têm ocorrido. Dou minhas sugestões, parâmetros e contexto no sentido de apoiar o trabalho da equipe, que é de primeira linha.

    Diria que a tecnologia hoje atua como uma “droga da obediência” que inibe as crianças? Celulares e mídias sociais entraram na lista dos prejuízos à sociabilidade dos jovens e como desculpa para sua pouca vontade de entreter-se lendo livros. Ora, isso já aconteceu quando surgiu a televisão. A meu ver, a alienação de jovens tem mais a ver com a pouca ou inadequada interação com os pais do que com qualquer nova tecnologia. A droga da obediência é a praga do “cala a boca que você não entende disso”. É a negação das opiniões daqueles que já deixaram de ser crianças e querem participar das conversas com os adultos.

    A Droga da Obediência tem sido um livro formativo para jovens leitores há mais de quarenta anos. Como é entrar em contato com o público que cresceu com esses personagens? Hoje, minha grande alegria é uma senhora de uns 50 anos me dizer: cresci lendo seus livros, meus filhos leram seus livros e agora já leio livros seus para meus netos. Quer alegria maior?

    O hábito da leitura está em queda. Acredita que adaptações para o cinema reacendem o interesse pelos livros? O cinema e o streaming são nossos aliados para trazer mais leitores para as obras originais. Esse é um esforço civilizatório, de todos nós. Um país com pouca leitura e acesso restrito à informação permanecerá como um país sem importância. Sou otimista. Sei que estamos avançando e que esse é mais um jeito de tornar o Brasil um país de leitores. Enquanto a democracia, que é tão recente para nós, continuar vigorando no Brasil, nós continuaremos a fomentar esse crescimento.

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    Então tem esperança sobre o futuro da literatura? Sem arte, sem literatura, não há civilização. Continuaremos a cantar, a ler, a sorrir e a esperançar. Os livros são o início de tudo: do teatro, do cinema, de todas as formas de comunicar nosso amor e nossa esperança.

    Publicado em VEJA de 19 de dezembro de 2025, edição nº 2975

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