‘Papai Noel não existe’: a polêmica entre banda de punk rock e extrema direita que virou caso de polícia
Grupo musical Garotos Podres foi alvo de inquérito por música lançada há quarenta anos
Recentemente alvo de um inquérito policial, a banda de punk rock Garotos Podres foi denunciada por uma música lançada quarenta anos atrás. Em vídeo publicado nas redes sociais neste fim de semana, o vocalista José Rodrigues Mao Júnior revelou que o baterista do grupo, Negralha, foi obrigado a prestar depoimento a uma delegada de polícia fora do estado de São Paulo devido à letra da música Papai Noel Velho Batuta.
A canção trata-se de uma crítica à desigualdade social e o inquérito foi aberto após uma denúncia feita por uma figura da extrema direita, que alegou que a faixa “incita a violência contra pessoas de bem”. O perfil oficial da banda no Instagram publicou uma nota de repúdio à “tentativa de censura e perseguição” sofrida.
Em vídeo feito durante uma apresentação ao vivo do grupo, Mao explicou a situação: “Essa semana, a delegada perguntou por videoconferência ao Negralha, nosso baterista, sobre essa canção. Ele teve que explicar que Papai Noel não existe. O pior é que isso é sério. Quarenta anos depois do fim da ditadura militar, nós fomos inquiridos num processo inquisitorial questionando as letras: ‘Ah, mas você estimula a violência com o Papai Noel’. Daí nosso amigo falou ‘Papai Noel não existe’. Então a delegada chorou, chorou, chorou”, relatou.
O grupo afirmou que o denunciante alega que a letra da música incentiva a violência por “falar de sequestro e morte de uma figura lendária e que representa uma cultura mundial cristã”. O refrão da faixa diz: “Papai Noel, velho batuta/ Rejeita os miseráveis/ Eu quero matá-lo/ Aquele porco capitalista/ Presenteia os ricos/ (Cospe nos pobres)/ Presenteia os ricos/ (Cospe nos pobres)”.
O grupo, que alega estar sendo vítima de censura, citou que nem mesmo na época de lançamento da faixa, em 1985, no final da ditadura militar, foi submetido a interrogatórios pelo Departamento de Censura do estado. Ainda em pronunciamento nas redes sociais, contaram que o baterista – membro mais novo da formação e que ainda não era nascido quando Papai Noel, Velho Batuta foi lançada – passou a ter pesadelos recorrentes desde o interrogatório, com sonhos de estar sendo interrogado “sob tortura” e acusado de ter sequestrado o Papai Noel.
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