Organizador do Carnaval de SP revela o que esperar de sábado com Alceu Valença e Ivete Sangalo
Fundador de um dos principais circuitos do Carnaval de rua paulistano, Rogério Oliveira celebra mais um ano de grandes desfiles
A chegada deste sábado 7, marca o início da pré-temporada de Carnaval na cidade de São Paulo. Um dos grandes destaques da folia neste fim de semana é a programação organizada pelo Coletivo Pipoca, criado por Rogério Oliveira, que trará grandes nomes da música brasileira à frente de desfiles ao redor do Parque Ibirapuera. Com a abertura do evento sendo liderada pela cantora Mariana Aydar no Bloco Forrozin, quem assume o desfile logo em seguida é Alceu Valença, com o grandioso bloco Bicho Maluco Beleza — que acontece logo em seguida do bloco de Ivete Sangalo, ambos no Ibirapuera. “A Ivete é uma artista que move multidões, assim como o Alceu, que leva por volta de 400 mil pessoas para o parque. Mas são público diferentes, então talvez vejamos um aumento grande pela sobreposição dos dois eventos”, alertou Oliveira sobre o sábado agitado.
Dono de uma carreira de mais de 50 anos, o cantor lidera o bloco paulistano desde 2015. “O Maluco Beleza foi crescendo com os anos e agora será no Ibirapuera, uma loucura”, contou em entrevista a VEJA. Neste domingo, o mesmo bloco se apresentará na cidade de Recife, na Rua da Aurora. “É uma maravilha, vai muita gente. Eu mostro muita música minha de Carnaval. Claro, canto meus sucessos, mas também canções como Diabo Louro. Podem chamar tudo isso de uma “carnavalença”, continua Valença.
“No bloco, a multidão vai acompanhando a gente, todo mundo atrás, em movimento. No show, é outra coisa. No bloco há muita alegria, descontração e agitação. No show, existe mais concentração — o público presta mais atenção no repertório”, celebra o pernambucano. Questionado sobre o que diria para quem vai acompanhar seu bloco neste Carnaval, Valença aconselha: “Brinquem, bebam com moderação, se hidratem. O calor vai estar gostoso, uns 26 graus em São Paulo. As mulheres costumam usar girassol no cabelo, acho isso tão bonito […] Eu adoro a inocência. A arte tem muito a ver com a inocência”.
Em meio à expectativa do dia anterior ao bloco, o idealizador e criador do Carnaval Pipoca falou a VEJA sobre o impacto cultural do Carnaval de rua paulistano. “Hoje fala-se muito do impacto econômico e turístico, que é um medidor muito importante. A indústria criativa já participa com quase 4% do PIB nacional e a gente acha isso incrível, porque é um vetor que precisa ser ainda mais explorado no país. Em São Paulo também não é diferente, mas a gente sempre precisa estar muito atento ao equilíbrio dessas forças e à dimensão cultural do Carnaval, que é muito importante. Questões como o que a cultura desses blocos gera, as relações que ela proporciona entre artistas, comunidades e até mesmo bairros que passam a se conhecer, já que existe um grande movimento de pessoas que passam a se conhecer e conviver durante o período de planejamento dos blocos”, afirma Rogério.
“Existe uma linha que é a mais relevante do Carnaval: a cultural. O Carnaval é reconhecido como manifestação cultural por leis federais, então nós, que participamos dessa retomada do Carnaval em São Paulo, vivemos hoje uma preocupação para que essa dimensão cultural não seja sugada ou ofuscada pela dimensão somente econômica e turística. A gente precisa equilibrar essas forças e nunca perder os blocos com os grandes protagonistas e atores que têm a voz para apontar a direção para onde o Carnaval tem que ir”, completa o produtor.
Para além dos cinco blocos organizados pelo Pipoca ao longo do Carnaval — Forrozin, (Mariana Aydar), Bicho Maluco Beleza (Alceu Valença), Quintal dos Prettos (Emicida e Maria Rita), Monobloco e Navio Pirata (BaianaSystem) — outro evento também chama a atenção do público neste sábado 7: o trio elétrico de Ivete Sangalo, também realizado no Parque Ibirapuera.
“Nós somos muito fãs da Ivete e admiramos ela como artista, mas ao mesmo tempo preciso separar as coisas”, explica Rogério a respeito da expectativa de público prevista para os blocos de seu coletivo. “É uma novidade, toda a comunidade de blocos e os grandes realizadores da festa foram pegos de surpresa com essa vinda. Esse evento acabou exigindo um terceiro desfile no Ibirapuera no mesmo dia, o que é muito desafiador para a operação e capacidade do local, de limpeza e de organização do local durante o sábado todo”, reflete o organizador.
“Ao mesmo tempo em que tenho uma grande alegria em dividir esse dia com ela, até porque sou paulistano e a Pipoca é uma empresa que nasceu aqui também e que abre os braços para todos que querem chegar em São Paulo, também acordamos amanhã bastante alertas para que essa operação dê certo”, Rogério esclarece. “É uma novidade histórica que a cidade toda vai conhecer amanhã”, finaliza.
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