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O dia em que o Carnaval paulistano virou caso de polícia e prejudicou apuração no Anhembi

Torcedor que invadiu a quadra e rasgou envelopes com resultados iniciou conflito generalizado no local

Por Beatriz Haddad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 fev 2026, 09h00 •
  • Em 21 de fevereiro 2012, um acontecimento inesperado durante a apuração dos desfiles no Sambódromo do Anhembi gerou uma confusão que entrou para a história e virou caso de polícia no Carnaval de São Paulo. Por volta das 17h35, no momento mais aguardado pelas escolas de samba, quando faltavam apenas duas notas do quesito comissão de frente para que o anúncio da grande campeã finalmente fosse feito, um torcedor chamado Tiago Ciro Tadeu Faria, identificando na época como um representante da Império de Casa Verde, pulou uma grade e correu em direção à mesa do locutor, rasgando os envelopes que continham as notas das agremiações. Na época, a  Império de Casa Verde negou qualquer relação com Tiago e afirmou que ele não tinha credencial para ficar na mesa próxima aos jurados.

    O ocorrido fez com que a apuração fosse interrompida imediatamente, situação que levou o público da arquibancada e integrantes de outras escolas a atirarem cadeiras para perto da grade de proteção do evento. Após a derrubada das grades, diversos grupos invadiram a área restrita, gerando uma confusão generalizada que se alastrou até as pistas da marginal Tietê.

    Membros da Gaviões da Fiel fecharam as ruas no sentido para a rodovia Castello Branco e logo após atravessarem a área de dispersão das escolas, um incêndio se iniciou no local onde os carros alegóricos estavam reservados. O caos instalado resultou na perda de um carro da Pérola Negra, que foi queimado por completo.

    Transformado em um verdadeiro campo de guerra, o Sambódromo virou alvo de tumulto e inúmeras agressões, que resultaram na prisão de duas pessoas, dentre as quais estava Tiago Ciro Tadeu Faria, responsável pelo atentado inicial de rasgar as notas — ele já tinha passagem pela polícia por roubo, porte de arma, receptação, e formação de quadrilha. Faria foi indiciado por supressão de documentos e dano ao patrimônio público, mas acabou solto dias depois. Horas após a confusão, já no período da noite, a vencedora do Carnaval de 2012 foi revelada: a escola Mocidade Alegre. O anúncio foi realizado pela Liga Independente das Escolas de Samba pouco tempo depois do ocorrido, que entrou para a história como o dia em que a final do Carnaval paulistano foi ofuscada.

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