‘O Agente Secreto’ perde o Oscar de melhor filme internacional
Filme brasileiro dirigido por Kleber Mendonça Filho foi indicado a quatro categorias na premiação máxima de Hollywood
Apesar da torcida brasileira, O Agente Secreto perdeu a estatueta de melhor filme internacional no Oscar para o norueguês Valor Sentimental, de Joachim Trier. Favorito nas casas de apostas, o filme tinha o longa nacional como seu principal adversário, mas confirmou o favoritismo e frustrou as esperanças do Brasil de entrar para o seleto grupo de países com duas vitórias seguidas na categoria.
Protagonizado por Wagner Moura, O Agente Secreto foi indicado a quatro categorias: melhor filme, filme internacional, ator e na inédita melhor direção de elenco. Com isso, se juntou a Central do Brasil na liderança do ranking de títulos brasileiros com mais indicações ao Oscar. Além do brasileiro e do norueguês, também disputavam a estatueta o tunisiano A Voz de Hind Rajab, o espanhol Sirât e o francês Foi Apenas Um Acidente.
Qual é a história de O Agente Secreto?
Protagonizado por Wagner Moura, o filme acompanha a história de Marcelo, um professor universitário que retorna para sua Recife de origem sob disfarce com o intuito de pegar o filho e recomeçar em outro lugar. O ano é 1977, em plena ditadura militar, e o estado de espírito opressor paira sobre o Brasil, abrindo brechas para criminosos agirem em nome de interesses próprios sob a escolta do Estado. Nessa atmosfera misteriosa e de segredos ocultos, Marcelo encontra na capital pernambucana outras pessoas de passado oculto, que se abrigam em um prédio administrado por dona Sebastiana (Tânia Maria). Nessa trajetória, diversas histórias se desenrolam em paralelo com a do protagonista, algumas trágicas, outras cômicas, algumas até surreais, mas todas embaladas pelo colorido do país em plena semana do Carnaval.
Qual é a história de Valor Sentimental?
No belíssimo longa do diretor norueguês Joachim Trier, conhecido pelo intrigante A Pior Pessoa do Mundo, de 2021, Stellan Skarsgård dá vida a Gustav Borg, um cineasta em decadência que almeja voltar aos holofotes com um filme novo e íntimo sobre seus traumas de infância. A produção teria ainda uma função mais nobre: pai distante, ele quer se reconectar com as duas filhas, Nora (Renate Reinsve) e Agnes (Inga Ibsdotter Lilleaas), enquanto elas processam o luto pela morte da mãe. Para isso, força uma convivência, ao eleger a casa onde as duas cresceram como cenário, e oferece o papel da protagonista para a mais velha, Nora, que é atriz de teatro. Amargurada, ela recusa a vaga, que é preenchida por uma estrela de Hollywood (Elle Fanning) — curiosamente, o diretor cumpre com a atriz gringa a função de pai melhor do que com as próprias crias.





