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Mostra SP: ‘A Gangue dos Jotas’ é programa para amigos

Marjane Satrapi, diretora da animação Persépolis, juntou sua ‘gangue’ para fazer uma comédia descompromissada e divertida

Por Diego Braga Norte
1 nov 2013, 17h35

Marjane Satrapi, iraniana que também possui nacionalidade francesa e vive em Paris, ganhou fama mundial no início dos anos 2000 como autora de histórias em quadrinhos, antes de se firmar como cineasta. Seu álbum autobiográfico Persépolis foi um sucesso global. Na HQ, ela relata a sua infância em um Irã repressor e a sua ida a Viena, na Áustria, para terminar os estudos – os pais de Marjane a mandaram para a Europa pois temiam pelo futuro da filha no Irã. Depois do sucesso do livro, a autora foi convidada para dirigir um filme de animação baseado na obra. O longa Persépolis foi lançado em 2007 e, assim como a obra que lhe deu origem, teve êxito de crítica e público. Marjane parece ter gostado da experiência como diretora e, em 2011, lançou Frango com Ameixas, com o astro francês Mathieu Amalric (de 007- Quantum of Solace e O Escafandro e a Borboleta) no papel principal.

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O seu mais recente trabalho, A Gangue dos Jotas, um dos destaques da 37ª Mostra Internacional de São Paulo, encerrada nesta quinta, é uma comédia divertida e meio amalucada. Nils (Mattias Ripa) e Didier (Stephane Roche) são dois amigos que viajam ao sul da Espanha para participar de torneios de badminton. No aeroporto, porém, uma mulher misteriosa (interpretada pela própria Marjane) pega a mala deles por engano. Ao notar a troca involuntária, ela entra em contato com a dupla e propõe um encontro para desfazer a confusão.

​Com uma conversa envolvente e cheia de sarcasmos e ironias, a mulher misteriosa (a personagem não tem nome) envolve os dois amigos e os convence a acompanhá-la para comprar uma arma. Ela diz estar sendo perseguida pela “máfia espanhola”, a Gangue dos Jotas – cujos adeptos têm todos nomes iniciados com a letra “J”: José, Juan, Jesus, Jorge, Joaquim etc. Todos os mafiosos são interpretados pelo mesmo ator, Ali Mafakheri, que ora está careca, ora de bigode, ora de peruca e assim por diante.

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Momentos depois de conseguir a arma, em um ato impulsivo e cômico, Nils atira em um dos membros da gangue que perseguia a mulher sem nome. Pronto, agora a dupla de amigos torna-se oficialmente cúmplice de assassinato junto com a tal misteriosa. A partir daí, os três partem em viagem por várias cidades espanholas para eliminar um a um os demais integrantes da gangue. A personagem de Marjane possui uma personalidade cativante e, entre palhaçadas e histórias absurdas, vai conduzindo a dupla rumo aos seus objetivos. Com muitas cenas em estradas e diálogos nonsense, os três personagens vão se tornando amigos. E os assassinatos dos “Jotas”, que são ora desastrados, ora casuais, têm sempre um toque de humor.

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A produção é extremamente simples e barata, mas o clima despojado do filme realmente não pede nem comporta super-efeitos especiais, figurinos deslumbrantes ou cenas épicas. Marjane (a mulher misteriosa) e Mattias Ripa (Nils) são casados na vida real. O ator que interpreta Didier assina a montagem do longa e a atriz portuguesa Maria de Medeiros, amiga de Marjane, faz uma participação especial no filme. Com isso, a obra tem um clima de filme feito por amigos e para amigos. A Gangue do Jotas não é a melhor comédia da história, mas é um filme honesto, leve e divertido. Ideal para curtir uma sessão de cinema entre amigos.

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