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Morre a atriz Brigitte Bardot, ícone do cinema francês, aos 91 anos

Protagonista de 'E Deus Criou a Mulher' marcou os últimos 60 anos da cultura pop com tendências de moda e papéis provocativos

Por Thiago Gelli Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 dez 2025, 07h53 • Atualizado em 28 dez 2025, 08h19
  • A atriz francesa Brigitte Bardot, ícone do cinema e musa da cidade de Búzios, no Rio de Janeiro, morreu aos 91 anos, informou neste domingo, 28, a fundação que leva o nome da artista. O comunicado não cita a causa nem o local da morte de Bardot.

    “A Fundação Brigitte Bardot anuncia, com imensa tristeza, a morte de sua fundadora e presidente, Madame Brigitte Bardot, atriz e cantora de renome mundial, que escolheu abandonar sua carreira prestigiosa para dedicar sua vida e sua energia à causa do bem-estar animal e à sua fundação”, diz a nota.

    Nascida Brigitte Anne-Marie Bardot em Paris, a estrela de cinema começou como dançarina, se tornou modelo em 1949 e foi descoberta pelo diretor Roger Vadim no ano seguinte, que a viu na capa da revista Elle e a chamou para um teste. Não tardou para que ela e o cineasta se tornassem um casal. Em 1952, os dois subiram no altar. Quatro anos mais tarde, filmariam juntos o longa E Deus Criou a Mulher, e a carreira de Bardot jamais seria a mesma. 

    Brigitte Bardot em 'E Deus Criou a Mulher'
    Brigitte Bardot em ‘E Deus Criou a Mulher’ (//Reprodução)

    Aos 22 anos, a atriz interpretava uma órfã nada modesta capaz de manipular a seu favor o desejo dos múltiplos homens que a cercavam na comuna de Saint-Tropez. De teor erótico, o filme imediatamente alçou Bardot ao status de sex-symbol e foi banido em algumas nações conservadoras. Nos Estados Unidos, o longa foi condenado pela Liga da Decência Católica e passou por cortes antes de ser exibido. Um infame cartaz agregava elogios à boa forma da atriz e cravava: “Deus criou a mulher… mas o Diabo criou Brigitte Bardot”.

    Para além de Vadim, Bardot, então, se tornou musa de Jean Luc-Godard e Louis Malle, entre outros cineastas, assim como das grifes Dior, Balmain e Pierre Cardin. Como referência de estilo e comportamento, a atriz foi responsável por popularizar o biquíni quando os pudicos maiôs eram regra e também inspirou milhares de mulheres a reproduzir o penteado sauerkraut, no qual a parte traseira do cabelo é presa e erguida, enquanto a franja paira livre sobre os olhos — que, para completar a homenagem à atriz, devem estar delineados. Blusas que deixam os ombros expostos também eram parte do armário de Bardot e, portanto, tal corte de gola hoje recebe seu nome. 

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    A fim de se retirar “elegantemente” da indústria, Bardot atuou em seu último filme em 1973, aos 39 anos. No ano seguinte, posou nua para a Playboy italiana como comemoração de sua quarta década na Terra. Afastada do cinema, ela se tornou ativista pelos direitos animais e fundou a própria organização em 1986, a Brigitte Bardot Foundation, ainda em atividade. 

    Exposição de cartazes dos longas estrelados por Bardot ocorreu na Galeria Orsay em Paris em 2019
    Exposição de cartazes dos longas estrelados por Bardot ocorreu na Galeria Orsay em Paris em 2019 (Chesnot/Getty Images)

    Relação com Búzios

    Brigitte Bardot viajou o mundo ao longo de seus 91 anos de vida e chegou a firmar laço com uma cidade brasileira: Búzios, no Rio de Janeiro. Tudo começou em janeiro de 1964, quando a atriz buscava refúgio em alguma cidade na qual não seria perturbada — requisito difícil no auge de sua carreira, que havia estourado em 1956 com E Deus Criou a Mulher. Pouco chamativa, Búzios era ainda apenas um distrito de Cabo Frio povoado por pescadores. Bardot se hospedou em uma casa na Praia de Manguinhos e lá ficou circulando livremente por mais de três meses. Junto a ela, veio o então namorado franco-brasileiro-marroquino Bob Zagury. 

    Meses depois, em dezembro, a atriz retornou à região para lá passar a virada do ano, mas desta vez encontrou fotógrafos vorazes que a perseguiam pelas ruas. Descoberta, a magia se dissipou. Na primeira semana de 1965, Bardot partiu para a França e nunca mais voltou. Mesmo assim, a presença da atriz ainda paira sobre a cidade. Com os holofotes voltados para si após a estadia da francesa, Búzios se tornou atração turística cobiçada e foco de investimentos diversos. Em 1999, quatro anos após ser oficializada como município, a cidade ganhou uma estátua de sua turista favorita. Entre a Rua das Pedras e a Praia da Armação, a figura de bronze representa a atriz de forma despojada, vestindo regata e calça. A orla que a circunda, então, foi também nomeada em homenagem à Bardot.

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    A obra é da escultora Christina Motta e tem como base uma fotografia de Denis Albanese. Na época, jornais alegaram que o ensaio fotográfico foi feito a pedido da atriz, que queria rebater rumores publicados em uma revista brasileira de que ela estava “gorda, feia e queimada de Sol” durante a estadia. Hoje, turistas e locais posam ao lado da estátua diariamente.

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    A estátua de Brigitte Bardot em Búzios (Luis Alvarenga/Getty Images)

    Polêmicas

    Apesar dos laços à libertação feminina dos anos 1960, demonstrou posicionamentos polarizantes mais tarde e foi multada em seis ocasiões diferentes por incitar o ódio racial contra povos islâmicos.  Em 2018, também rebateu as atrizes que denunciavam abusos por meio do movimento Me Too: “Muitas flertam com produtores para conseguir o papel, depois contam a história como se houvessem sido assediadas”. Em 2012 e 2017, Bardot também endossou as campanhas presidenciais da líder de extrema-direita Marine Le Pen. 

    Casamentos

    Bardot manteve a parceria criativa com Vadim por anos, mas se divorciou em 1957. Em 1959, casou-se com o ator Jacques Charrier e teve seu único filho, Nicolas, hoje com 65 anos. Permaneceu em matrimônio por três anos até desmanchar a relação. Em 1966, voltou ao altar ao lado do socialite alemão Fritz Gunter Sachs e permaneceu com ele também por três anos. Sua relação amorosa mais longeva foi a com o viúvo Bernard d’Ormale, de 84 anos, com quem se casou em 1992.

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    Bardot em um protesto pelos direitos animais em 2007
    Bardot em um protesto pelos direitos animais em 2007 (John van Hasselt/Corbis/Getty Images)

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