Mariana Aydar celebra os prazeres e os desafios de puxar um trio elétrico no Carnaval
Criadora do bloco paulistano Forrozin, que reuniu mais de 150 mil pessoas no sábado, 7, cantora fala a VEJA sobre sustentar a folia por horas a fio
Paulistana de berço e duplamente vencedora do Grammy Latino, a cantora e compositora Mariana Aydar estrelou neste sábado, 7, seu sétimo desfile com o Bloco Forrozin. Logo após a estreia de Ivete Sangalo, que comandou seu primeiro desfile de Carnaval na cidade de São Paulo, a criadora do bloco que celebra a música nordestina reuniu cerca de 150 mil pessoas nos entornos do Parque Ibirapuera. Do primeiro contato com o forró – intermediado pelo próprio Luiz Gonzaga – ao apadrinhamento de seu trio elétrico por Gilberto Gil, Aydar falou a VEJA sobre suas influências no cenário musical e a paixão pela cultura nordestina.
De onde surgiu a paixão pelo Carnaval de rua? Vem de Salvador. Quando eu era adolescente, fui passar o feriado lá e fiquei completamente apaixonada. Passei toda a minha adolescência, dos 15 aos 21 anos, frequentando o Carnaval de Salvador. Daniela Mercury foi uma pessoa que me acolheu muito no Bloco Crocodilo quando eu era foliã. Depois, ela me chamou para ser backing vocal do trio dela e essa experiência foi um grande aprendizado.
Como foi o processo de idealização e criação do Forrozin em São Paulo? Eu tinha muita vontade de trazer essa experiência que eu tive em Salvador para a minha cidade, porque o Carnaval aqui está crescendo a cada ano. Também teve todo esse desejo de trazer pra cá o forró, o xote e algumas das principais manifestações culturais nordestinas, que são infinitas. A gente deve muito celebrar a cultura nordestina. São Paulo só é São Paulo por causa dos nordestinos, então acredito que seja uma celebração a eles.
O que percebe de diferente no Carnaval deste ano? Ele vem crescendo muito. Acho que cada ano que passa também é um Carnaval que cresce. Neste ano recebemos a Ivete Sangalo pela primeira vez no Carnaval de São Paulo e isso é um grande marco. Eu estou super feliz com isso. Dividir o dia com essa mestra é um grande presente para nós, porque ela é uma rainha. Quando eu comecei a puxar o bloco de fato, meu respeito por todas essas puxadoras de trio aumentou muito. Não é fácil puxar um trio, você tem que ter muita responsabilidade, presença, preparo físico, emocional e espiritual. Essas mulheres do Carnaval de Salvador e Recife costumam puxar blocos por quatro dias seguidos e isso exige muito preparo vocal. Então, a minha admiração – que já era muito grande – por todas elas aumentou muito. Para mim, é uma grande honra dividir um dia com a Ivete e com outro mestre como o Alceu Valença.
Quais as suas principais influências no meio artístico? Tem tanta coisa… o forró entrou na minha vida muito cedo, porque minha mãe foi empresária de muitos artistas, como o Luiz Gonzaga. Eu era muito pequena quando o conheci, tinha por volta de 6 anos. Ele me deu uma boneca e me levou ao shopping, então eu tive essa grande sorte de o forró ter entrado na minha vida por essa porta. Ele é simplesmente um rei, então eu tenho muita influência de artistas como ele e Dominguinhos. Acho difícil elencar, porque a música brasileira é muito rica e eu ainda continuo sendo influenciada por cantores novos. Sou sempre atravessada pela música brasileira. Isso me vibra o coração, porque é o que eu amo e ouço sempre.
Como percebe a receptividade do público paulistano ao forró? Eu acho que o forró sempre foi muito bem recebido em São Paulo. Ele existe aqui há muito tempo, até pelo fato de os nordestinos terem vindo para cá construir essa cidade. Eles trouxeram consigo a cultura do forró. Tinha o famoso forró do Pedro Sertanejo, pai de Oswaldinho do Acordeon, que era bastante emblemático. Depois, houve um boom do forró universitário, então eu acho que ele sempre foi bem aceito e acolhido por aqui. Eu sinto esse lugar de acolhimento, diversão, alegria e festa, porque é a energia que o forró tem.
Qual o momento mais marcante que viveu como puxadora de trio elétrico? Passei por muitos momentos especiais ao longo do Forrozin. Esse é o sétimo ano que a gente sai, mas acredito que o período mais incrível para mim foi o primeiro ano, em 2018, porque fomos apadrinhados por Gilberto Gil. Essa foi a primeira vez que ele veio para um Carnaval em São Paulo e acabou se encantando também. Nós não sabíamos o que estava acontecendo direito e como essa ideia iria nascer, mas eu estava com muita vontade e medo também de puxar aquele trio. Por mais que eu tivesse a experiência de Salvador e da Daniela [Mercury], estar ali à frente de tudo era muito diferente. Me senti muito realizada quando tudo acabou, por ter o meu bloco e o meu trio na minha cidade. Ser apadrinhada pelo Gil foi algo que eu nunca vou esquecer na minha vida e que segue no meu coração toda vez que eu entro na avenida.
Existe algum projeto em mente que ainda pretende realizar? Vou começar um novo disco esse ano, que é quando eu completo 20 anos de carreira. É muito legal olhar para trás e ver tudo que a gente construiu e tudo aquilo que eu ainda tenho vontade de fazer. Já realizei muitos sonhos, mas a música sempre segue nos surpreendendo e dando aquele ‘gostinho’ engraçado do começo. Tenho que celebrar, porque 20 anos não são 20 dias. Olhando para a frente, quero fazer um disco novo, compondo e mexendo com muito afeto nesse lugar do forró que é minha casa e um aconchego.
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