Kleber Mendonça Filho manda recado a americanos: ‘Momento importante para fazer filmes’
Diretor brasileiro subiu ao palco do Globo de Ouro para receber o prêmio de melhor filme em língua não-inglesa por 'O Agente Secreto'
Diretor de O Agente Secreto, o pernambucano Kleber Mendonça Filho subiu ao palco do Globo de Ouro neste domingo, 12, para receber a estatueta de melhor filme em língua não-inglesa. Em seu discurso, o brasileiro agradeceu a o elenco e a equipe do longa, e dedicou o prêmio aos jovens cineastas. “Este é um momento muito importante da história para fazer filmes. Aqui nos Estados Unidos, no Brasil. Americanos, vocês tem cineastas, façam filmes”, declarou o diretor.
Politizado, o brasileiro ficou marcado por trabalhos que denunciam mazelas sociais e autoritarismos. Premiado esta noite, O Agente Secreta é ambientado durante a ditadura militar brasileira, e reconstrói o clima de repressão que imperava no país. Questionado sobre o tema na entrevista após o prêmio, o brasileiro citou Bolsonaro e incentivou cineastas americanos a discutirem o momento enfrentado pelos país através do cinemas. “Há 10 anos, o Brasil deu uma virada para a direta. Esse momento acabou. O ex-presidente está preso. Ele foi irresponsável de forma épica em não liderar o país. Acredito que o filme, o cinema, pode ser uma forma de expressão”, apontou ele, dizendo que “os jovens americanos tem muito o que falar sobre o que está acontecendo nessa sociedade”.
Falando sobre o Brasil, o diretor destacou que está feliz de ver um filme nacional “gerando tanta discussões boas” sobre a história do país, e apontou a importância de falar sobre a nossa sociedade. “Quero muito ver jovens cineastas brasileiros fazendo histórias sobre o Brasil no cinema. Quando a gente fala da nossa casa, todo mundo ouve ao redor do mundo”.
Qual é a história de O Agente Secreto?
Protagonizado por Wagner Moura, o filme acompanha a história de Marcelo, um professor universitário que retorna para sua Recife de origem sob disfarce com o intuito de pegar o filho e recomeçar em outro lugar. O ano é 1977, em plena ditadura militar, e o estado de espírito opressor paira sobre o Brasil, abrindo brechas para criminosos agirem em nome de interesses próprios sob a escolta do Estado. Nessa atmosfera misteriosa e de segredos ocultos, Marcelo encontra na capital pernambucana outras pessoas de passado oculto, que se abrigam em um prédio administrado por dona Sebastiana (Tânia Maria). Nessa trajetória, diversas histórias se desenrolam em paralelo com a do protagonista, algumas trágicas, outras cômicas, algumas até surreais, mas todas embaladas pelo colorido do país em plena semana do Carnaval.
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