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Jason Mraz a VEJA: ‘Visitar o Rio de Janeiro mudou minha vida’

Cantor e compositor de hits como 'I'm Yours' e 'Lucky' retorna ao Brasil em março para se apresentar em cinco cidades

Por Thiago Gelli Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 jan 2026, 09h00 • Atualizado em 29 jan 2026, 09h14
  • Não é incomum ligar o rádio e esbarrar nas onomatopeias charmosas que saem da boca do americano Jason Mraz dentro do hit I’m Yours, sons que depois ecoam na mente do ouvinte como todo bom pop chiclete. Hoje aos 48 anos, Mraz coleciona sucessos assim: também é a voz de 93 Million Miles from the Sun, I Won’t Give Up e Lucky, colaboração com Colbie Caillat, faixas que marcaram a transição entre os anos 2000 e 2010. Para além do sucesso radiofônico, já lançou oito discos — três deles na última década, nenhum dos quais teve turnê no Brasil. A fim de remediar o tempo perdido, ele agora tem cinco shows marcados entre 3 e 10 de março no país — em Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre —, com ingressos já à venda via Ticketmaster.

    Em entrevista a VEJA, o cantor e compositor relembra suas visitas passadas ao Brasil, pondera sobre a reputação romântica de seu repertório — indispensável às cerimônias de casamento — e elucida o trabalho humanitário que exerce por meio da Jason Mraz Foundation, fundada em 2011 com a missão de apoiar artistas sem acesso à educação ou ao bem-estar:

    Músicas como Lucky e I Won’t Give Up são presença constante nas rádios brasileiras até hoje. Esperava que o impacto do seu trabalho fosse tão longevo? Se soubesse que seria assim, faria mais músicas como essas. Tive muita sorte. Quanto ao Brasil, tentei apresentar shows por lá o máximo que pude desde meu primeiro álbum, quando ninguém me conhecia. Fiz amigos e conexões no país ao longo dos anos e acredito que isso tenha provocado um efeito dominó que levou as canções para o rádio, o que é bacana.

    O que enxerga por trás desse sucesso? Quando era mais jovem, estava escrevendo música pop como um meio de encontrar amigos e o significado da vida. Conforme cresci, continuei perguntando o porquê disso tudo, e percebi que toda e qualquer resposta tinha alguma coisa a ver com amor, seja amar o momento, amar um amigo, amar sua família, amar sua arte… acredito que essas tentativas de desvendar as perguntas cósmicas são universais. Parte do meu sucesso vem da escrita sobre a experiência humana.

    Além do rádio e do streaming, suas faixas são comuns em casamentos. Como se sente sobre essa reputação? Amo isso mais do que tudo. Para mim, a música é uma conexão com algum poder maior do que eu, uma frequência que me sintoniza à natureza. Sempre quero que minhas músicas proporcionem uma conexão. Quando descubro que uma delas tocou em um casamento ou alguma outra celebração, me sinto honrado. Existem bilhões de outras canções por aí. Ser escolhido é maravilhoso.

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    Sua próxima turnê é inteiramente dedicada à América Latina. Por que faz questão de contemplar esse público? Faz uns 10 anos que não toco por aí, já lancei três discos nesse meio-tempo. Sinto que tenho uma dívida a pagar aos meus ouvintes latino-americanos. É meu dever voltar e disseminar estas canções e me reconectar com antigos fãs e amigos. Toda turnê também é um portal para novas possibilidades — quero conhecer mais pessoas e ouvir música nova durante a viagem. O turismo é muito inspirador para um artista.

    Ainda pensa em alguma história de suas outras vindas ao Brasil? Penso em vários momentos íntimos: surfar com amigos, tomar açaí e participar de uma aula de capoeira, por exemplo. Lembro de um amigo que organizou uma festa em casa e que todos os convidados trouxeram seus próprios instrumentos, para tocar e cantar noite adentro. Isso não acontece tanto nos Estados Unidos. As pessoas não preenchem um recinto com música com tanta facilidade. Visitar o Rio de Janeiro mudou minha vida, porque voltei para casa com a vontade de me cercar de música tanto quanto os brasileiros.

    Fora da música, seu maior foco é o trabalho humanitário. O que o colocou neste caminho? Percebi que tinha a oportunidade, o tempo e os recursos. Cresci dentro de programas de arte que só existiam graças à filantropia. Quando me tornei um músico de sucesso, queria retribuir o favor e apoiar jovens artistas, oferecer bolsas e prêmios, criar programas que visam à música como meio de promover aceitação, compaixão e inclusão. Pareceu-me uma extensão natural do que fazia nos shows, agora dentro de salas de aula e teatros comunitários. Não posso apenas perseguir a minha própria popularidade. É exaustivo só pensar em si.

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