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‘Eu pedi para fazer A Nobreza do Amor’, diz Lázaro Ramos sobre novela

Ator e apresentador encarna seu primeiro vilão na TV e celebra nova temporada do programa de entrevistas ‘Espelho’

Por Raquel Carneiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 mar 2026, 17h50 •
  • A partir desta segunda-feira, 16, Lázaro Ramos vai explorar um tipo até então inédito em sua longa carreira: o ator baiano integra o elenco da nova novela das 6 da Globo, A Nobreza do Amor, no papel do vilão Jendal, um ambicioso líder africano em busca de expandir seu poder em uma trama ambientada no início do século XX. O folhetim chega em mais um bom momento da carreira de Ramos. Atualmente ele está no ar no Canal Brasil com o programa de entrevistas Espelho – 20 Anos Depois, uma temporada especial para celebrar a atração iniciada por ele em 2006, e viu seu novo filme, Feito Pipa, sair premiado do Festival de Berlim. A VEJA, ele fala sobre esse momento.

    A novela A Nobreza do Amor vai mergulhar na herança africana no Brasil. O que mais te agradou nesse projeto? É um projeto pioneiro. Eu fui chamado para opinar na sinopse, dei uma lida e pedi para fazer a novela. Ela tem uma estética nova. É uma fábula contada por uma princesa, uma história clássica, mas ambientada no continente africano e no Rio Grande do Norte, nessas duas terras, cidades criadas, fabulares, é muito encantador. Uma história linda para estar no horário das 6. Fiquei muito interessado também em trabalhar com Gustavo Fernandes, que é um diretor que eu admiro muito e tem um apuro estético, um cuidado com os atores que faz muita diferença. Além de que fazer um primeiro vilão é um prazer novo na carreira.

    Enxerga uma melhora na presença de atores negros na TV, especialmente em papéis de destaque, nestes últimos 20 anos? Sim, houve uma melhora na presença dos atores e uma melhora na variação dos personagens que são oferecidos. Um protagonismo maior. Isso tudo eu celebro muito e acho que é um processo que agora não tem mais volta, principalmente porque oferecemos um entretenimento de qualidade que o público gosta e compra. Isso fica evidente pela recepção do público, nos níveis de audiência, nas conversas que geram, em como o público se sente contemplado com essas histórias. Então, eu acho que isso faz bem para o mercado e acho que é um processo irreversível.

    O que pontua como algo a se melhorar nesse âmbito da representatividade na TV? Eu vou falar de uma coisa muito específica que eu acho que é o desenvolvimento da nossa linguagem, né? Eu acho que mais pessoas como roteiristas e diretores estão desenvolvendo uma linguagem nossa, da nossa dramaturgia nacional, das histórias que interessam ao nosso público. Estamos voltando a olhar para gente mesmo e entender quem somos. É um processo que se associa diretamente com os filmes mais vistos no último ano. Estamos vendo identidades muito fortes do nosso Brasil com filmes como Vitória, Ainda Estou Aqui, Chico Bento e o próprio O Agente Secreto, com a linguagem do Kleber num retrato de Pernambuco. Então eu acho que é isso, é reforçar o pé nisso e nessa… eu não uso mais a palavra representatividade.

    Por que? Eu prefiro que a gente fale da questão da presença e representação positiva, múltipla, né? Que é um novo passo nessa conversa. Não é que alguém te represente, mas a gente tem uma representação múltipla e uma presença constante. Pensando sempre no nosso mercado e no diálogo com o nosso público, que gosta dessa identificação e precisa dela. Já compreendemos isso — e estamos dando outros passos agora.

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    O programa Espelho foi lançado em 2006 e soma mais de 300 episódios ao longo de 15 temporadas, sendo que a maior parte dos convidados foram pessoas negras. Como analisa sua experiência ali ao longo dos anos? O Espelho foi o meu lugar de formação intelectual e cultural. Quando comecei o programa, eu tinha o desejo de ser apresentador e buscava a oportunidade de dirigir. Assim comecei a convocar pessoas que pudessem me trazer aprendizados, ângulos diferentes de pensamento, e isso foi muito importante para mim. Chegar a 20 anos desse programa que se torna, assim, um dos mais longevos da história da TV por assinatura do Brasil, me encheu de muito orgulho Ele se tornou um grande marco no nosso audiovisual.

    Destaca algum aprendizado especial nesse período, enquanto comunicador e também formador de opinião? O aprendizado é constante, cada temporada eu revejo coisas. Primeiro, digo que não tem um ISO 9000 de ativismo, e isso é bom, né? Porque cada pessoa e cada momento do mundo vai fazendo com que a gente precise se adaptar. Acho que esse é o maior aprendizado, né? É o aprendizado de ter valores, mas ao mesmo tempo ter a escuta aberta. Inclusive, porque quando a gente escuta, a gente consegue falar com mais pessoas. E como artista, uma coisa muito importante foi a experiência de dialogar com pessoas de linguagens tão diferentes do Brasil. Eu que venho do Nordeste, que tem uma cultura muito forte, ter acesso a artistas de todos os lugares, com seus processos criativos e linguagens, só me fortaleceu.

    Alguma participação do elenco desta temporada o marcou? Várias, mas o Tony Ramos falando sobre finitude pouco tempo depois de ter passado por um problema de saúde grave foi algo que emocionou todo mundo.

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