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Em ‘Tabela Periódica’, Primo Levi reflete sobre a vida a partir de elementos químicos

Autor cria analogias criativas sobre a vida humana — e em argumento contundente contra o fascismo

Por Bárbara Bigas 26 out 2025, 08h00 •
  • A TABELA PERIÓDICA, de Primo Levi (tradução de Maurício Santana Dias; Companhia das Letras; 250 páginas; R$ 79,90 e R$ 34,90 em e-book)
    A TABELA PERIÓDICA, de Primo Levi (tradução de Maurício Santana Dias; Companhia das Letras; 250 páginas; R$ 79,90 e R$ 34,90 em e-book) (./.)

    Nascido em Turim, na Itália, Primo Levi (1919-1987) teve uma vida superlativa, marcada por grandes paixões e uma tragédia incomparável. Sobrevivente dos horrores do Holocausto, ele se tornou uma voz incontornável de seu tempo ao narrar a experiência pessoal em um campo de extermínio nazista no livro É Isto Um Homem?, de 1947. Pouco se fala, contudo, de sua origem, sonhos e de sua formação acadêmica. Tal lacuna é iluminada por A Tabela Periódica, outro livro notável de sua autoria, publicado originalmente em 1975, que estava fora de circulação no Brasil e ganha agora uma nova edição, com tradução inédita direta do italiano. Na obra, o autor usa os elementos da tabela de Mendeleev como paralelos filosóficos dos acontecimentos de sua vida e de sua visão de mundo. Assim, mesclou seus dois talentos principais: a habilidade com a escrita e o gosto pela ciência — a química, mais especificamente —, dando origem a uma obra de leitura saborosa, enriquecedora e que não recua ao tecer críticas duras ao autoritarismo.

    Levi se afeiçoou ao campo de estudo ainda na infância, crente de que estaria ali o caminho para compreender a si mesmo e o universo. Não ligava, então, para o fato de que era judeu, considerava-o irrelevante, até notar na juventude que o antissemitismo o excluía dos ambientes acadêmicos. Mesmo assim, se dedicou à faculdade de química em sua cidade natal, desafiando diariamente a mentalidade fascista que dominava a instituição. Ao falar sobre a experiência, narra uma reflexão nascida no laboratório enquanto se debruçava sobre o zinco. Ao se comparar com o elemento, Levi teve uma epifania: o metal que se transforma quando em contato com os ácidos tem um comportamento arredio em seu estado puro. “Para que a vida viva, há de haver impurezas”, cravou ele, refutando a ideia detestável de se preservar o que é puro na humanidade, segundo as regras distorcidas do fascismo. Não à toa, ele abraçou sua identidade ao se declarar judeu em 1944, quando foi capturado pela polícia italiana com um grupo de resistência rebelde e levado a Auschwitz.

    Retribuindo a devoção do estudante, a química foi sua tábua de salvação: Levi escapou da morte sendo mão de obra essencial na construção de uma fábrica de produtos químicos em Monowitz, ou Auschwitz III. Dado seu conhecimento na área, ele conseguiu evoluir do trabalho pesado para o laboratório, até ser libertado com a invasão do Exército soviético. Nos anos seguintes, se revelou testemunha-chave do Holocausto, mas sem abandonar sua amada química, o que resultou numa bela e explosiva reação em cadeia literária.

    Publicado em VEJA de 24 de outubro de 2025, edição nº 2967

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