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Em clima de final de Copa, Brasil festejou a conquista inédita do Oscar por ‘Ainda Estou Aqui’

Para além do prêmio, o longa dirigido por Walter Salles e estrelado com brio por Fernanda Torres expôs ao mundo uma página sombria do passado nacional

Por Raquel Carneiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 dez 2025, 06h00 • Atualizado em 24 dez 2025, 09h49
  • Na noite de 2 de março de 2025, a folia de Carnaval foi interrompida para o país inteiro acompanhar, em clima de suspense digno de uma final de Copa do Mundo, o desenrolar de um evento na remota Los Angeles. E deu Brasil, minha gente: em um feito inédito e histórico, que era desejado com ansiedade a cada indicação frustrada de uma produção nacional ao longo das últimas décadas, Ainda Estou Aqui enfim lavou a alma cinéfila da nação ao levar a estatueta de melhor Filme Internacional. A vitória foi celebrada com emoção no palco da premiação pelo diretor Walter Salles — e também entre batuques e gritos na Sapucaí, durante os desfiles das escolas de samba cariocas, até as ruas do Pelourinho, em Salvador. A estatueta não veio na categoria principal de filme do ano, nem para Fernanda Torres, indicada como atriz por seu retrato excepcional de Eunice Paiva — a mãe de família de força inquebrantável que se reinventou como ativista pelos direitos humanos após o assassinato do marido, Rubens Paiva, nos porões da ditadura militar, em 1971. Mas o tamanho da façanha já se revelou imenso — e é claro que a interpretação de Fernanda foi o trunfo que levou o filme tão longe, promovendo de quebra um acerto de contas com uma página sombria do passado brasileiro em pleno palco global. A atriz, curiosamente, iniciou a jornada rumo a esse gran finale apoteótico de um modo humilde e despretensioso. Em janeiro, meses antes da festa do Oscar, ela representou o país ao lado de Salles e do colega Selton Mello — que vive Rubens Paiva no longa — no Globo de Ouro. Ainda Estou Aqui concorria então nas mesmas categorias de filme internacional e atriz dramática naquele prêmio que é um dos principais termômetros do Oscar. Ao chegar à festa, bateu o desânimo: os brasileiros foram alocados em uma das mesas mais afastadas do palco, “do lado do banheiro”, relembrou Selton. Diante desse possível indício de que o filme seria esnobado, Fernanda tirou o salto alto e passou a desfrutar dos quitutes da festa. Perto do anúncio de sua categoria, porém, foi alertada por um produtor americano: “É melhor colocar o sapato”. Ela venceu o páreo, superando Nicole Kidman e Angelina Jolie — e passou do posto de azarona ao de estrela estrangeira da temporada de premiações americana. Seu triunfo foi essencial para o auge que veio depois no Oscar. Ainda Estou Aqui marcou o ano não apenas pela vitória, mas por sua notável força popular: levou aos cinemas perto de 6 milhões de espectadores e atraiu os holofotes de Hollywood para cá. Que venham mais estatuetas, Brasil.

    Publicado em VEJA de 24 de dezembro de 2025, edição nº 2976

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