‘É preciso manter o tom’, diz Fabcaro, novo roteirista de Asterix e Obelix
Fabrice Caro estreia com A Íris Branca, álbum de número 40 da dupla, sátira à ancestral chatice dos gurus
Qual sua estratégia para permanecer fiel ao legado de René Goscinny e Albert Uderzo, criadores de Asterix e Obelix? Minhas principais fontes de inspiração são os álbuns deixados por eles, especialmente aqueles com os quais cresci. Eu os tenho sempre em mente quando trabalho. É preciso manter o tom certo, a “pequena música” da série. Cada vez que escrevo, me pergunto se Goscinny e Uderzo teriam aprovado o que estou fazendo.
Qual é a maior dificuldade para escrever uma série tão emblemática? O desafio é construir um roteiro que se sustente ao longo de toda a história. Sou mais acostumado com o formato curto, o fragmento, a piada de uma página, de no máximo três quadrinhos. Normalmente, improviso muito, mas com Asterix e Obelix é preciso planejar um pouco mais e organizar com antecedência. Mas adoro o exercício, é algo novo para mim.
Qual a sacada de A Íris Branca, 40º álbum da dupla, que será lançado aqui, pela Record, no início de agosto? Nos meus projetos pessoais, geralmente pratico um humor mais absurdo. Injeto um pouco disso em Asterix, mas em doses muito pequenas. Em A Íris Branca, o alvo da comédia são os gurus que manipulam pessoas frágeis com sua linguagem para obter poder e controle.
Que novas ideias o senhor gostaria de trazer para as aventuras? É preciso perpetuar o espírito que faz a força e a longevidade da série: um equilíbrio entre a tradição, com seus marcos imutáveis e passagens incontornáveis, aquilo que a fez permanente, e a modernidade, em sintonia com a nossa época.
O senhor e o desenhista Didier Conrad mantêm parceria semelhante à que tinham Goscinny e Uderzo? Didier vive nos Estados Unidos e eu na França, então nossa colaboração acontece essencialmente por e-mails e videochamadas. Escrevo meus roteiros em formato de storyboards e os aprimoramos com o editor antes de enviá-los ao Didier, com quem discutimos alguns pontos, se necessário, antes que ele comece a desenhar. Depois, ele nos envia os primeiros rascunhos dos desenhos e os refinamos novamente.
A Íris Branca foi muito bem recebido na França e em outros países. É indício de trabalho bem-feito, de mãos dadas com a ideia original? Os retornos sobre A Íris Branca me aqueceram o coração. Quando se assume um monumento como Asterix, espera-se, é claro, ser um pouco criticado. Mas os leitores, de forma geral, pareceram contentes com o resultado. Espero que a próxima aventura, Asterix na Lusitânia, com lançamento previsto para outubro, na França, suscite o mesmo entusiasmo. É um álbum de viagem, como revela o título. Nesse sentido, é como se eu estivesse partindo do zero.
Publicado em VEJA de 25 de julho de 2025, edição nº 2954





