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‘Dinheiro no Brasil é um tabu’, diz Michel Alcoforado, do best-seller ‘Coisa de Rico’

O antropólogo e comunicador digital de 39 anos fala das suas descobertas ao estudar o topo da pirâmide brasileira durante mais de quinze anos

Por Bárbara Bigas 13 set 2025, 08h00 •
  • Por que estudar os ricos? Durante muito tempo, nossas ciências sociais estudaram só os mais pobres do Brasil. Ao mesmo tempo, se criou um silêncio em torno dos mais ricos. Com meu livro, quero dar visibilidade para um grupo que não era estudado, mostrando como nós, ricos e não ricos, trabalhamos arduamente para manter as coisas mais ou menos como estão. O estudo sobre as elites mostra um lado da sociedade que estava escondido.

    Coisa de Rico (Todavia), um dos livros de não ficção mais vendidos do momento, traz uma discussão sobre quem seria o rico “de verdade”. Quem é ele? O rico de verdade é aquele que consegue convencer os outros de que é rico. Mais importante, o rico de verdade é o outro, nunca é a gente. É a pessoa que tem mais coisas do que você tem. Se alguém conversar com pessoas que têm salário de 30 000 reais e perguntar se elas são ricas, elas vão dizer que não, que rico é o cara que ganha 50 000. Mas quem ganha 50 000 por mês vai falar que rico de verdade é o que ganha 100 000 reais, e assim por diante.

    Que tipo de comportamento difere o novo-rico do rico de berço? Os ricos tradicionais vão fazer questão de apagar suas origens para mostrar aos outros que são ricos desde sempre. O modo como organizam suas casas ou como se vestem deve passar a ideia de que tudo sempre esteve ali. Os novos-ricos são o contrário. Eles precisam sempre marcar, através das coisas que conquistaram, em que momento ficaram ricos. Sabem a data em que compraram o carro, quando fizeram novos amigos ou se mudaram para seus prédios.

    De onde vem nosso fascínio pelo universo dos ricos? Esse é um traço brasileiro. Temos um modelo de sociedade onde está todo mundo preocupado em descobrir o que os ricos fazem para parecerem ricos. O fascínio vem da ideia de que só o fato de simular ou performar riqueza já é meio caminho andado para ser percebido como rico.

    Qual a raiz desse comportamento baseado em aparências? A raiz está na forma como marcamos as diferenças em relação aos outros no Brasil. Aqui, dinheiro é um tabu. Para ele ganhar sentido na sociedade brasileira, é preciso transformá-lo em coisas. Nossa preocupação com a imagem está diretamente atrelada a uma dificuldade histórica, social, cultural de lidar com o dinheiro e entendê-lo.

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    Qual história mais o surpreendeu? Posso falar que o perfume comprado a 15 000 euros para resgatar o cheiro da família me chocou. Que os apartamentos nababescos me chocavam, mas tudo isso faz sentido do ponto de vista daquelas pessoas. Elas compram aquilo que compram e fazem o que fazem não porque elas têm um comportamento irracional, mas porque precisam mostrar ao mundo quem elas são. Então todo comportamento, por mais que fosse caro e exótico, foi-se mostrando normal.

    Publicado em VEJA de 12 de setembro de 2025, edição nº 2961

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