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De Marielle a Ângela Diniz: série revisita crimes que marcaram o país

Dirigido por Ana Teixeira, ‘Estopim’ estreia neste domingo, 8

Por Tatiana Moura 8 mar 2026, 08h00 •
  • Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo, 8, o Canal Brasil estreia o primeiro episódio de Estopim, minissérie da Ana Teixeira. Dividida em cinco episódios, cada um dedicado a um tipo de crime contra a mulher, a produção busca debater sobre o contexto cultural, social e institucional dessas violências. Entre as histórias abordadas estão o assassinato de Marielle Franco, Aíra Curi e Ângela Diniz

    A ideia do projeto surgiu em 2020, durante a pandemia de covid-19, quando a diretora se deparou com pesquisas que apontavam o aumento da produtividade masculina enquanto a feminina caía, reflexo da sobrecarga enfrentada por mulheres naquele período. “Foi a partir daí que comecei a categorizar e tipificar algumas histórias que tinham me marcado. Sou uma grande entusiasta do jornalismo e percebi que havia um padrão nessas narrativas. Comecei a cruzar informações e vi que era possível fazer uma série que investigasse esse ‘fio de pólvora’ por trás desses crimes”, explicou à coluna GENTE.

    Além de questionar por que determinadas violências recaem sobre mulheres simplesmente por serem mulheres, a série também analisa como a mídia pode influenciar a percepção pública sobre as vítimas. “No caso da Aída Curi, que sofreu uma tentativa de estupro coletivo e foi jogada de um prédio em Copacabana, inicialmente se questionou por que ela estava naquele lugar. Depois que um jornalista passou a falar sobre ela de outra maneira, a percepção pública mudou. Algo parecido aconteceu com Mônica Granuzzo, na década de 1980, e com uma adolescente de 16 anos estuprada por 33 homens no Rio de Janeiro em 2022. Em todos esses casos houve um tipo de repercussão midiática que revela problemas estruturais da sociedade”, comentou.

    Por se tratar de um tema sensível, as entrevistas foram feitas no lugar em que os familiares e sobreviventes se sentissem mais confortáveis. Um dos momentos mais importantes para Ana foi a conversa com Vitória de Holanda, amiga de Dandara dos Santos, mulher transexual assassinada em 2017, e que também atuou como policial no caso.

    “Essa abordagem reunia emoção e também toda a questão investigativa. Quando a gente fala sobre mulheres trans, a gente sabe o quanto é difícil que esses crimes sejam julgados devidamente, cheguem às autoridades de forma. Então, acho que marcou bastante”, concluiu.

     

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