Influenciado pelo americano Norman Rockwell (1894-1978) e pelo peruano Alberto Vargas (1896-1982), José Luiz Benício da Fonseca, que assinava como Benício, criou uma marca indelével na ilustração brasileira. Ele desenhou alguns dos mais conhecidos cartazes de filmes nacionais, entre os quais os de Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976) e vários títulos dos Trapalhões. Estima-se que tenha feito mais de 300. Algumas produções eram ruins, mas os pôsteres, nunca.
Era o ápice de uma carreira que começou ainda na adolescência numa agência de publicidade do Rio Grande do Sul e voou quando ele se mudou para o Rio de Janeiro. Os primeiros sucessos de Benício, nos anos 1960, foram as capas de centenas de romances pulp da Editora Monterrey, quase sempre mulheres voluptuosas e protagonistas de tórridas aventuras de espionagem — algumas delas, como a fatal Giselle Montfort, criadas pelo jornalista David Nasser.
Já na maturidade, ao atingir cinquenta anos de carreira, passou a ilustrar projetos de arquitetura e trabalhos para revistas como VEJA e Playboy. Em 2011, moveu uma ação contra o músico alemão Morlockk Dilemma. O trabalho realizado para o álbum Amar pra Viver ou Morrer de Amor, de Erasmo Carlos, no qual um pássaro sai do peito do brasileiro, foi transplantado para a capa de Circus Maximus, de Dilemma. O disco com a capa plagiada foi retirado de circulação. Morreu em 7 de dezembro, uma semana antes de completar 85 anos, de causas não reveladas.
Das Passarelas para a TV
Pioneira na transição entre o mundo da moda e o das artes, Mila Moreira começou a trabalhar como modelo aos 14 anos e chegou a ganhar concursos de beleza antes de migrar para as novelas. Sua estreia na TV aconteceu em Marron Glacé, de 1979, no papel de Érica. Mila dizia ter conseguido, a duras penas, superar preconceitos na nova carreira por vir do mundo da moda e não do teatro. “As pessoas achavam que eu estava roubando o trabalho dos outros, de quem estudou para ser atriz”, disse ela. Não demorou, porém, para que mostrasse suas habilidades, de veia humorística, emoldurada por um sorriso largo e contagiante. Participou de grandes folhetins globais, como Plumas e Paetês, Elas por Elas, Corpo a Corpo, Que Rei Sou Eu?, Meu Bem, Meu Mal e Ti Ti Ti. Seu último trabalho foi em A Lei do Amor, de 2016. Morreu em 6 de dezembro, aos 75 anos, no Rio, de causas não divulgadas pela família.
Publicado em VEJA de 15 de dezembro de 2021, edição nº 2768







