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Datas: a morte de Luís Gustavo e a prisão de Paul Rusesabagina

O adeus do rei da comédia e a detenção do homem retratado como herói no filme 'Hotel Ruanda'

Por Da Redação Atualizado em 23 set 2021, 18h21 - Publicado em 24 set 2021, 06h00
TIPOS - Luís Gustavo: Beto Rockfeller, Mário Fofoca, Victor Valentim e Vavá -
TIPOS - Luís Gustavo: Beto Rockfeller, Mário Fofoca, Victor Valentim e Vavá – TV Tupi/.

Poucos personagens marcaram tanto a história da televisão no Brasil, e o cotidiano do próprio país, quanto o Beto Rockfeller interpretado por Luís Gustavo na novela da TV Tupi. Em reportagem de capa de abril de 1969, VEJA chamava a atenção para o sucesso, em preto e branco, do “herói sem caráter”, um Macunaíma moderno criado por Bráulio Pedroso, com direção de Lima Duarte e Walter Avancini. “Beto, um jovem de classe média baixa, é um tipo disposto a todos os golpes menores para subir até o ambiente da burguesia paulista”, anotava o texto. “Ao lado de alguns momentos de lirismo e bondade, mente, trai, ilude a todos, ilude-se, foge do trabalho”. E o Brasil se viu na TV.

O charme de Gustavo, filho de espanhóis nascido na Suécia (o pai era diplomata), associado a perfeito controle de tempo do humor, fez de Beto Rockfeller um ícone até hoje lembrado. Tatá, como era conhecido, voltaria a chamar a atenção com outras figuras marcantes na TV Globo, engraçadas e adoráveis, apesar dos desvios morais. Ele foi o detetive Mário Fofoca, da novela Elas por Elas (1982). Foi o costureiro Victor Valentim, de TiTiTi (1985) e, para as gerações mais jovens, o Vavá, de Sai de Baixo (1996 a 2002). “Na comédia, as crianças são meus grandes professores”, dizia a respeito de seu dom. Tinha 87 anos. Morreu em Itatiba (SP), em 19 de setembro, de câncer no intestino.

A vida não imita a arte

CINEMA - Rusesabagina: inspiração para o filme Hotel Ruanda (2004) -
CINEMA – Rusesabagina: inspiração para o filme Hotel Ruanda (2004) – Rick Loomis/Getty Images

O filme Hotel Ruanda, de 2004, narra a astúcia de Paul Rusesabagina como gerente do Mille Collines Hotel em Kigali para proteger mais de 1 200 pessoas durante o genocídio de 1994. A matança foi imposta a cidadãos do grupo étnico tútsi, mortos com facões, queimados vivos ou baleados à queima-roupa por rebeldes hútus. Rusesabagina, interpretado por Don Cheadle, chamava a hospedagem de luxo, controlada com dólares em propinas, cerveja, charme e retidão, de uma “ilha de medo num mar de fogo”. Sua atuação no episódio levado para a Hollywood o transformou em símbolo internacional, herói incontestável. Em 20 de setembro, ele foi condenado a 25 anos de prisão por pertencer a uma organização terrorista. A sentença era esperada desde que, em setembro de 2020, o avião em que Rusesabagina viajava para Burundi pousou no aeroporto de Kigali. Ele foi preso na capital de Ruanda e imputado com “nove acusações relacionadas a terrorismo, incêndio criminoso, sequestro e assassinato perpetrado contra civis inocentes em solo ruandês”. Rusesabagina, de 67 anos, nega as acusações e se diz preso político.

Publicado em VEJA de 29 de setembro de 2021, edição nº 2757

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