‘Cosmoguiné’: nova exposição do MAC transforma erva sagrada da Umbanda em agente criativo
Jovem artista Ian Cheibub ocupa o museu com trabalho onde a planta 'edita' as fotografias
O Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC) recebe, a partir do próximo sábado, 7, a exposição Cosmoguiné, primeira mostra individual de Ian Cheibub. Em um trabalho que transcende os limites tradicionais da fotografia, o artista propõe uma colaboração direta com a erva-da-guiné, planta com a qual convive desde a infância, sendo integrante de um terreiro de Umbanda no morro do Bumba, em Niterói.
O ponto central do trabalho do jovem de 26 anos está na atuação da planta sobre o processo artístico. Em vez de simplesmente retratar a guiné, Ian submete filmes fotográficos a banhos preparados com a erva, permitindo que ela atue quimicamente sobre a emulsão — corroendo, apagando, editando e revelando as imagens. “Durante minha pesquisa, eu apliquei a transdisciplinaridade e multiplicidade de utilizações da própria guiné na minha prática artística”, explica ele.
Uma impressão de 2,80m por 40m envolve toda a sala expositiva, transformando a fotografia em ambiente contínuo. Na abertura, a rampa do MAC receberá uma lavagem ritual conduzida pela tia e pelo pai do artista, ambos pais de santo com mais de três décadas de atuação em Niterói.





