Como a americana Lynn Painter virou fenômeno dos livros após os 40 anos
Autora é sucesso com obras românticas cultuadas pelas típicas leitoras da era das redes, como 'Patinando no Amor'
Até os 40 anos de idade, Lynn Painter nunca tinha despertado para a escrita. Casada e mãe de cinco filhos, ela levava uma vida caseira em Omaha, no estado americano de Nebraska. Uma conversa com sua irmã foi o empurrão que precisava para unir sua paixão por livros à vontade de curar sua “adolescente interior”, como gosta de recordar. “Eu não era descolada: era a nerd dos livros. Minha vida era tediosa, então eu ficava sonhando acordada com garotos se apaixonando pela nerd chata dos livros, e isso acabou virando meu trabalho”, disse ela em entrevista a VEJA. A partir dessa inspiração, Lynn criou diversas histórias de amores improváveis e inesperados, que conquistaram leitores adultos e adolescentes, dos fãs de leituras mais picantes até os ávidos por romances açucarados. Hoje autora best-seller do The New York Times, Lynn lançou seu primeiro livro apenas em 2021 — e experimentou um sucesso internacional estrondoso.
O diferencial que transformou suas obras em mania, especialmente entre as jovens leitoras, reside nas histórias sobre primeiros amores, que Lynn classifica como “incomparáveis”. Seu livro de maior sucesso no Brasil, Melhor do que nos Filmes, é um exemplo disso. Com cerca de 350 000 cópias vendidas no país e presença constante na lista de Mais Vendidos de VEJA, na categoria infantojuvenil, a trama acompanha a adolescente Liz, que quer conquistar o garoto de seus sonhos e, para isso, pede ajuda a seu vizinho ranzinza, Wes Bennett. Em seu mais novo romance, Patinando no Amor, que acaba de sair no país pela editora Intrínseca, ela fala da relação de um par de amigos de infância que viveram um afastamento doloroso e voltam a se reencontrar na vida adulta, quando a protagonista descobre que seu antigo crush se tornou um jogador famoso de hóquei.
Da aventura surge uma paixão que é prato irresistível para o público mais precioso hoje para o mercado de livros: os engajados leitores das redes sociais. Aos 54 anos, Lynn é um exemplo da capacidade de conexão com esse público. Ela entendeu o que suas leitoras queriam ler ao redor do mundo, quebrando barreiras culturais. Nessa trajetória, o Brasil se tornou propulsor importante de sua carreira. Por aqui, sete dos onze romances da autora já foram publicados e experimentaram recepção calorosa, vendendo cerca de 800 000 cópias no total. O sucesso trouxe Lynn para as Bienais do Livro de 2024 e 2025 — sua passagem por esses eventos em São Paulo e no Rio causou comoção notável entre os fãs. “O Brasil agora é como se fosse meu lar longe de casa”, diz ela. A “adolescente interior” da escritora desperta paixão — e se revelou uma potência editorial.
Publicado em VEJA de 27 de fevereiro de 2026, edição nº 2984





