Comercial feito com IA que transforma Luciano Huck em Hulk pode virar problemão para a Globo
Uso de inteligência artificial em campanha reúne apresentadores e personagens de Hollywood
Um comercial da Globo criado para divulgar o novo pacote de filmes da programação pode acabar virando uma dor de cabeça para a emissora. A peça exibida na última quarta-feira, 2, que mistura apresentadores da casa com personagens conhecidos do cinema, usa inteligência artificial para alterar a aparência de nomes como Luciano Huck e Marcos Mion. O titular do Domingão com Huck aparece transformado no super-herói da Marvel Hulk, enquanto o apresentador do Caldeirão surge vira Tom Cruise em Missão Impossível. Outros personagens também são usados no vídeo, como o Rocket de Guardiões da Galáxia, que aparece em uma interação bem-humorada com Ana Maria Braga no Mais Você, além de Woody e Buzz, de Toy Story, que sobem em um logo da emissora.
A campanha também recorreu à IA para inserir personagens e situações inspiradas em grandes franquias de Hollywood. Francesca, personagem interpretada por Nathalia Dill em Quem Ama Cuida, aparece em uma sequência na qual é capturada por um integrante dos Caça-Fantasmas. Em outro trecho, Batman, Doutor Estranho, Mulher-Maravilha e outros personagens são reunidos nos Estúdios Globo, em uma espécie de encontro entre o universo da emissora e o dos filmes anunciados. As atrizes de A Substância, Demi Moore e Margaret Qualley também estão no vídeo.
A brincadeira, porém, pode ter ultrapassado os limites esperados pela Globo. Segundo informações do jornal O Dia, a emissora teria recebido uma notificação extrajudicial de um dos estúdios envolvidos nas produções retratadas. A questão estaria justamente no uso de inteligência artificial para recriar e modificar imagens relacionadas a artistas e personagens de Hollywood sem autorização prévia. VEJA procurou a Globo para se posicionar sobre o caso, mas a empresa ainda não retornou o contato.
Diante da repercussão negativa de parte de internautas, o comercial foi retirado do ar pela Globo. O episódio expõe uma questão que vem ganhando espaço à medida que a inteligência artificial passa a ser incorporada à publicidade e ao entretenimento: até onde uma campanha pode alterar rostos, personagens e imagens reconhecíveis sem esbarrar em direitos de imagem e propriedade intelectual?
O caso também coloca a Globo diante de um debate cada vez mais comum no mercado audiovisual. A utilização de ferramentas de IA permite criar peças publicitárias de grande impacto em pouco tempo, mas o recurso não elimina a necessidade de autorização para o uso de elementos protegidos. No caso do comercial, a combinação entre figuras da televisão brasileira e personagens de franquias internacionais acabou chamando atenção justamente por explorar imagens facilmente identificáveis pelo público.
Entre o público, a opinião ficou dividida. Enquanto uma parcela desaprova o excesso de uso de IA em produções da maior emissora da América Latina, outros celebram a “criatividade”.
O comercial ainda circula em vídeo no YouTube, em um canal que não pertence à emissora, confira:
Acompanhe notícias e dicas culturais nos blogs a seguir:
- Tela Plana para novidades da TV e do streaming
- O Som e a Fúria sobre artistas e lançamentos musicais
- Em Cartaz traz dicas de filmes no cinema e no streaming
- Livros para notícias sobre literatura e mercado editorial





