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Cannes: Roman Polanski e Jim Jarmusch encerram competição com bom humor

A competição do 66º Festival de Cannes terminou em notas bem-humoradas

Por Mariane Morisawa, de Cannes Atualizado em 10 dez 2018, 10h01 - Publicado em 25 Maio 2013, 16h11

A competição do 66º Festival de Cannes terminou em notas bem-humoradas, graças a Roman Polanski e seu La Vénus à la Fourrure (“A Vênus das peles”, na tradução literal), exibido na manhã deste sábado para jornalistas, e Jim Jarmusch e Only Lovers Left Alive (“Só os amantes sobrevivem”), apresentado na noite de quinta-feira.

Como em seu filme anterior, O Deus da Carnificina, Roman Polanski foi buscar no teatro o material para La Vénus à la Fourrure, baseado numa peça de David Ives inspirada pelo livro A Vênus das Peles, de Leopold von Sacher-Masoch. Só que, em vez de ambientar a ação num apartamento, com quatro personagens, desta vez o diretor usou um teatro (um cenário construído) e apenas duas pessoas. O diretor teatral Thomas (Mathieu Amalric) procura uma atriz para a adaptação do livro A Vênus das Peles. Depois de um dia frustrante, Vanda (Emmanuelle Seigner, mulher de Polanski) invade o teatro como um verdadeiro furacão. Vulgar e aparentemente nada esperta, insiste em fazer um teste apesar do atraso. Thomas surpreende-se com a atriz, que, além de se transformar, sabe tudo sobre a sua personagem. Em alguns momentos, ela se confunde com o papel. O diretor fica cada vez mais obcecado com a mulher.

A estrutura é simples e, sim, teatral, mas Polanski consegue movimentar os quadros com a marcação dos atores e com as interpretações competentes de Amalric e Seigner. O texto tem várias partes engraçadas, mas trata de coisas sérias, discutindo a relação sadomasoquista entre um diretor e um ator. La Vénus à la Fourrure é também uma peça bem feminista, pois Vanda liberta-se do sadismo de Thomas. “Quem me conhece sabe que não sou machista”, disse Polanski na coletiva de imprensa após a sessão de imprensa. Emmanuelle Seigner contou que, sim, o trabalho é maravilhoso, mas pode ser humilhante. “Talvez esteja me vingando em nome de todos os atores do mundo”, brincou.

O americano Jim Jarmusch, por sua vez, fez um filme de vampiros cool com Only Lovers Left Alive. “Ouvimos dizer que dava muito dinheiro”, disse, brincando, o diretor, na coletiva de imprensa da tarde deste sábado. Ele foi buscar no Reino Unido os atores para interpretar seus sanguessugas. Adam (Tom Hiddleston, de Thor) e Eve (Tilda Swinton) formam um casal há centenas de anos. No início, estão separados: ela em Tânger, ele enclausurado no próprio apartamento em Detroit, rodeado de discos de vinil e instrumentos antigos.

É um roqueiro, mas precisa viver no anonimato. Os dois são vampiros do século XXI, que compram sangue de hospitais em vez de atacar pessoas, muito refinados, citando escritores e músicos de várias épocas, com bastante saudosismo. Para Hiddleston, interpretar Adam era uma proposta irrecusável. “Era bem diferente, tenho feito muitos soldados e super-heróis. Gostei da ideia de viver alguém que incorpora romantismo e melancolia”, disse. “Ele é fascinado pela música e pela ciência. Eve é mais ampla, pode conter a fragilidade dele. No fundo, é uma história de amor entre duas pessoas que se amam e que por acaso são vampiros.” Cheio de frases espertinhas bem engraçadas, Only Lovers Left Alive tem aquela aura cult de sempre dos filmes de Jim Jarmusch.

https://www.youtube.com/watch?v=4VloIzmxqos

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