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As razões do sucesso do divertido programa de Fábio Porchat

'Que História É Essa, Porchat?', que acaba de ganhar nova temporada, agradou ao explorar o prazer de ouvir e narrar anedotas pessoais

Por Raquel Carneiro Atualizado em 13 mar 2020, 10h45 - Publicado em 13 mar 2020, 06h00

Em 2014, no Rio de Janeiro, três jovens goianas estavam ansiosíssimas por uma balada com mais de 1 000 confirmados no Facebook. Perdidas a caminho da festa, elas acabaram em uma exclusiva mansão no Morro do Joá — com bem menos de 1 000 pessoas. Lá dentro, o susto: Alessandra Ambrosio batia um papo com Ashton Kutcher. O desfile de celebridades continuou: David Beckham, Ivete Sangalo e Sabrina Sato transitavam pela casa, que, descobriu-se depois, era de Luciano Huck. “Eu, na minha ‘pamonhice’, demorei a entender”, detalha a penetra. A anedota inacreditável — acompanhada de fotos que a comprovavam — garantiu um dos momentos mais populares do programa Que História É Essa, Porchat?, exibido pelo GNT e conduzido por Fábio Porchat. A glamourosa aventura das goianas se espalhou pela internet e levou Huck a rever o sistema de segurança de sua residência. Quem revelou o desdobramento foi sua esposa, Angélica, convidada da segunda temporada da atração, que retornou ao canal pago no último dia 10. A apresentadora estava ali, aliás, para narrar uma trama pessoal: durante filmagens em Trancoso, quando estava grávida, passou mal e acabou sendo atendida por um veterinário — que até realizou um ultrassom nela.

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Por aí dá para entender o saboroso apelo do programa, que estreou em 2019 sem muito barulho e conquistou ao fazer rir sem esforço nem excesso de pretensão. A nova fase traz mais expectativas. “O grau de exigência aumentou: se a pessoa não contar que foi abduzida por alienígenas, eu nem quero”, brinca Porchat. Serão quarenta episódios, o dobro dos apresentados no ano passado, agora com o amparo de anunciantes e uma fila de famosos e anônimos ávidos por expor na TV um capítulo prosaico de sua vida. Para ampliar o alcance, a produção colocou na estrada uma cabine itinerante, que passou por São Paulo e ainda terá paradas em lugares como Belo Horizonte e Fortaleza. Como diz Porchat, “contar histórias é algo que vem lá do homem das cavernas”. Faz sentido: compartilhar experiências é parte essencial do ser humano. Estudo do antropólogo inglês Robin Dunbar mostra que 65% das conversas públicas tratam de assuntos pessoais dos mais mundanos, especialmente fofocas. O hábito tem lá sua serventia: narrar histórias cria empatia, provoca emoções e instiga a criatividade. O velho prazer aliado a bons narradores é o segredo de Que História É Essa, Porchat?.

A história que originou o programa, aliás, vale ser contada. No fim de 2018, Porchat deixou seu talk-show na Record TV. Havia rumores de que ele não compactuava com as ideias políticas do canal de Edir Macedo e que a cobrança pela audiência lhe tirava o sono. “Queria sair da fila de desempregados, então bati na porta do GNT”, revela. Ele sabia que não queria outro talk-show, gênero que tanto seduziu humoristas (veja o quadro). “Pensei nos meus poderes: sei improvisar, contar histórias e conversar. Criei um formato que fica a meu serviço, e não pressiona o convidado a dar opiniões polêmicas.”

Simples e funcional, a atração abre o microfone para três celebridades e alguns anônimos num auditório intimista. As histórias são pré-aprovadas por Porchat, que faz comentários afiados entre uma e outra. Fala-se ali de experiências passadas, de perrengues risíveis (como um piriri fora de hora) a tramas chocantes (com espíritos do além). A narrativa limpa embalou o formato para a era das redes: 1,3 milhão de downloads de podcasts e 161 milhões de visualizações de trechos do programa na internet. Sabe-se que a atração pode ser promovida à grade da Globo, como aconteceu com a de Tata Werneck. Porchat não confirma, mas deixa a dica: “Eu ficaria superfeliz”. Seria mais uma ótima história para contar.

Publicado em VEJA de 18 de março de 2020, edição nº 2678

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