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As pérolas, sempre clássicas, serão onipresentes em 2022

E o melhor é que a liberdade contemporânea permite que elas sejam usadas de um jeito bem mais divertido

Por Simone Blanes Atualizado em 20 jan 2022, 23h27 - Publicado em 22 jan 2022, 08h00

Pearlcore é o nome em inglês de uma das principais tendências de estilo de 2022. Em tradução livre, significa que as pérolas estarão no centro dos olhares ao longo do ano. Colares, brincos e roupas na cor ou adornadas com a joia serão onipresentes nas passarelas, festas, de gala ou não, na moda masculina e nas ruas. A primazia consolida o movimento iniciado no ano passado da estética craftcore (artesanal), marcada por acessórios contemporâneos que flertam com a nostalgia. E, convenhamos, poucos ornamentos evocam tanto o passado quanto as pérolas.

Contudo, o mais interessante e divertido é que, agora, elas aparecem usadas de outros jeitos por pessoas insuspeitas, compondo surpresas deliciosas. O cantor e ator inglês Harry Styles, ícone de comportamento desses tempos nos quais beleza não tem gênero, adora usar um colar curto por cima de suéteres. A cantora inglesa Billie Eilish, de 20 anos, mistura modelos sobre camisetas ou vestidos finos. “As pérolas estão sendo ostentadas de maneiras modernas por pessoas de diferentes estilos”, diz Maurício Okubo, diretor de marketing da joalheria Julio Okubo. A turma da moda também aderiu. As irmãs Bella e Gigi Hadid e Kendall Jenner, por exemplo, desfilam por aí com cordões e vestidos em tons perolados.

Pérolas são gemas esféricas orgânicas produzidas por ostras em reação a corpos estranhos, como grãos de areia ou parasitas. Os moluscos passam a fabricar a madrepérola, substância que, solta em camadas, endurece em torno do invasor e ganha uma forma arredondada e cristalina. É um processo que pode levar de seis meses a cinco anos. Por isso, são tão preciosas. Estima-se que apenas uma em cada 10 000 ostras produza uma pérola naturalmente. Aquelas cujas esferas são simétricas, com formas e tamanhos definidos, são cultivadas.

APENAS UM TOQUE - Informal: Billie Eilish (acima) e a modelo Bella Hadid adoram sobrepor colares para compor um visual despojado, mas nem tanto -
APENAS UM TOQUE - Informal: Billie Eilish (acima) e a modelo Bella Hadid adoram sobrepor colares para compor um visual despojado, mas nem tanto – Jeff Kravitz/FilmMagic/Getty Images; @bellahadid/Instagram

É curioso acompanhar a evolução histórica da admiração humana por essas criações. De tão raras, eram objetos para poucos e por muito tempo faziam parte apenas do acervo de joias da realeza. Eram símbolo de força. “Se você queria mostrar que tinha poder, era necessário possuir pérolas”, conta Costanza Pascolato, uma das maiores referências de moda do país. Como tudo o que é verdadeiramente belo, é difícil atribuir valores a elas. Daí decorrem episódios como aquele no qual as peças serviram como moeda de troca em uma das mais fantásticas transações comerciais envolvendo uma grife. Em 1917, Pierre Cartier — neto de Louis-François Cartier, fundador da Cartier — trocou um colar de pérolas avaliado em 1 milhão de dólares pela mansão na Quinta Avenida, em Nova York, sede da marca até hoje. O lugar pertencia a Morton Plant, um executivo que quis realizar o desejo da esposa, Maisie, encantada pela joia.

No século XX, boa parte dessa mítica se deve à estilista Coco Chanel, que deixou o acessório mais perto das pessoas, e à princesa Diana. Pérolas eram suas preferidas. A retrospectiva ajuda a entender por que hoje elas brilham ao mesmo tempo de formas criativas e tradicionais. Em uma das fotos que tirou recentemente em celebração de seus 40 anos, a duquesa de Cam­bridge, Kate Middleton, aparece com um vestido de tule combinado a um par de brincos em forma de gota que pertenceu à ex-sogra, Diana. É bem possível que na mesma Londres onde o retrato foi feito estivesse Billie Eilish e seu colar de pérolas sobre a camiseta.

Publicado em VEJA de 26 de janeiro de 2022, edição nº 2773

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