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Alok, sobre riscos da IA na música eletrônica: ‘Somos insubstituíveis’

O DJ brasileiro de fama internacional defende a inventividade humana como ferramenta inigualável

Por Simone Blanes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 ago 2025, 08h00 •
  • A inteligência artificial (IA), que tem reformado tantas atividades, substituirá a composição musical? Acredito na força criativa do ser humano. Nisso somos insubstituíveis. Para fazer arte, é preciso alma humana. Não é tratar a tecnologia como inimiga, mas como aliada. É um momento de resistência, e nós, artistas, temos que fazer a manutenção da cultura.

    Mas você mesmo sempre usou a tecnologia… Sim, e por isso acredito ter propriedade para falar do assunto. Enxergo em meu trabalho uma resposta a essa pergunta: a tecnologia está aí para ampliar as experiências de vida, e não para substituí-las.

    A IA, portanto, impõe mais riscos do que oportunidades? As possibilidades são muitas: democratização do acesso à produção musical; redução de barreiras técnicas; e surgimento de novas linguagens artísticas. Um jovem com um laptop e acesso à IA pode criar algo que, há dez anos, só seria possível com uma grande estrutura de estúdio. Isso é incrível. Mas os riscos também são sérios.

    Quais seriam? A gente pode entrar numa era de excesso de conteúdo gerado automaticamente, onde tudo soa muito bem produzido, mas sem alma, sem identidade. E tem as questões éticas: uso de vozes sem autorização, direitos autorais, manipulação de imagem.

    E como combater os perigos? Precisamos construir uma base ética sólida. E, principalmente, não deixar que a facilidade da IA substitua o processo de desenvolvimento artístico individual. O que eu diria a um jovem: use a tecnologia, mas não se esconda atrás dela. O que você quer dizer com a sua música? Qual a sua história? Quais sentimentos você quer transmitir? A IA pode ajudar a traduzir isso em som, mas ela não vai criar isso por você. A autenticidade vem da experiência, da vulnerabilidade, da coragem de ser único.

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    Diria que seu trabalho é único? Não, e sem falsa modéstia, mas creio ter ajudado, como pioneiro, a fazer crescer a música eletrônica no Brasil e no mundo. Todos os grandes festivais de música dedicam um palco a ela. A cena se profissionalizou, o público está mais exigente e as plataformas de streaming viram um aumento exponencial do consumo. Isso tudo amadureceu o gênero.

    Para além dos recursos tecnológicos, suas apresentações viraram um palco de estilo. Por quê? O estilo faz parte do show, e não apenas visualmente, por isso gosto de acessórios da Pandora. Representa, também um discurso, uma postura comportamental — humana, é claro.

    Publicado em VEJA de 29 de agosto de 2025, edição nº 2959

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