Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 9,90

A visão ácida sobre o capitalismo coreano no filme ‘A Única Saída’

No filme, um homem desempregado leva ao pé da letra a ideia de eliminar seus concorrentes

Por Raquel Carneiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 jan 2026, 08h00 •
  • Man-Su (Lee Byung-hun) é um homem realizado que vive na casa dos sonhos com a mulher que ama, tem dois filhos adoráveis e dois cachorros brincalhões. Ele faz questão de dizer isso à família durante um churrasco no quintal, ao grelhar as enguias que ganhou da empresa de produção de papel onde trabalha há 25 anos. Mal sabe o coitado que o presente de grego é um prenúncio para tempos de escassez: pouco depois, Man-su é demitido com diversos colegas em um corte em massa, quando a companhia da Coreia do Sul é adquirida por uma multinacional americana. A nova administração está disposta a tudo para reduzir custos — e, para obter isso, vai substituir boa parte da mão de obra humana por aparatos movidos pela inteligência artificial.

    Assim começa o calvário do protagonista de A Única Saída (Eojjeolsuga Eobsda, Coreia do Sul, 2025), novo filme do diretor Park Chan-wook já em cartaz no país. Aos 62 anos, o cineasta que impactou o mundo com o aclamado drama de vingança Oldboy (2003) volta a mirar um drama social que expõe o que há de pior nas pessoas — e faz isso com um impressionante controle narrativo, imagens soberbas e humor macabro. Conforme o desemprego persiste, Man-su se desespera ao ver seu estilo de vida de classe média alta se esvair. Embora tenha a opção de se reinventar em outra atividade, ele só enxerga a única saída do título do filme: agora Man-su está disposto a eliminar, literalmente, os concorrentes com quem disputa os pouquíssimos cargos disponíveis em outras empresas que fazem parte do obsoleto setor de papel.

    Baseado no livro O Corte, do autor americano Donald Westlake, publicado em 1997 e ambientado na Coreia do Sul, o filme traduz um mal-estar subjacente à vida social do país asiático, apesar da pujança de seu capitalismo: o desalento que atinge certa parcela da população com formação de alto nível, condenada ao desemprego ou a ocupações menores em razão da concorrência pelas boas vagas. Da série Round 6 ao premiado filme Parasita, essa questão que aflige os sul-coreanos embalou entretenimento de primeira — e demonstrou, não à toa, ter apelo universal. Para além da direção impecável, destaca-se no filme a atuação primorosa de Lee Byung-­hun. Versátil, nos últimos anos ele integrou o elenco do popular seriado Round 6 e fez a voz do vilão no fenômeno Guerreiras do K-Pop. Em A Única Saída, Lee vai da comédia de erros a uma violência desengonçada e propositalmente amadora. O preço das ações de Man-su é alto, mas ele está disposto a pagar para ver — custe o que custar.

    Publicado em VEJA de 23 de janeiro de 2026, edição nº 2979

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).