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A nova polêmica de J.K. Rowling envolvendo pessoas trans

Autora usou o Twitter para se posicionar contra projeto de lei escocês que facilitaria o reconhecimento de gênero

Por Amanda Capuano 8 mar 2022, 11h42

JK Rowling voltou a causar controvérsia nas redes sociais ao falar sobre transgêneros. Dessa vez, a autora de Harry Potter criticou uma proposta de lei escocesa que visa facilitar o reconhecimento do gênero de pessoas trans, dizendo que a emenda prejudicaria “as mulheres mais vulneráveis da sociedade: aquelas que buscam ajuda depois de serem vítimas de violência/estupro e mulheres encarceradas”, escreveu no Twitter.

Proposta na semana passada, a emenda à Reforma de Reconhecimento de Gênero, em vigor desde 2004, liberaria as pessoas trans da obrigatoriedade de análises médicas e psiquiátricas para ter o gênero reconhecido. Com isso, no sábado, 5, Rowling apoiou uma alegação não verificada de que os homens poderiam fingir que são mulheres trans nos serviços de recuperação de agressão sexual ou nas prisões, facilitando seu acesso a possíveis vítimas. No mesmo dia, a autora compartilhou um texto de uma sobrevivente de abuso que rebate a afirmação de Shonda Robison, redatora da proposta, de que não há evidências de que “predadores já tiveram que fingir ser qualquer outra coisa” citando o exemplo de Sarah Everard, assassinada por um homem que se passou por um policial para prendê-la e depois matá-la — história que nada tem a ver com transgêneros.

Na noite de ontem, a autora voltou a falar sobre o assunto na rede social, e citou o caso de Katie Dolatowski, uma mulher trans condenada pela tentativa de estupro de uma garota de 10 anos em um supermercado. Ela continuou dizendo que “vários grupos de mulheres apresentaram evidências embasadas para Nicola Sturgeon [Primeira Ministra da Escócia] sobre as prováveis ​​consequências negativas dessa legislação para mulheres e meninas, especialmente as mais vulneráveis”. J.K., no entanto, não citou grupos específicos ou dados para embasar sua alegação.

Apesar da proposta suspender a necessidade de laudo médico para a readequação de gênero, o processo não seria automático quanto faz parecer as alegações da autora. No site oficial da emenda, um detalhamento explica que os candidatos serão obrigados a viver com o gênero adquirido por um período mínimo de três meses, e, depois disso, enfrentar mais três meses de “reflexão” antes que um certificado oficial seja concedido. O documento também atesta que a declaração falsa para reconhecimento de gênero é uma ofensa criminal com pena de até dois anos de prisão.

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